Quadrilha usava código secreto para tráfico internacional de cocaína, diz PF

Investigação revela que criminosos usavam linguagem codificada e empresas de fachada para enviar cocaína a Europa e Dubai

Uma quadrilha especializada no tráfico internacional de cocaína utilizava um vocabulário próprio para despistar investigadores. Termos como “fena”, “escama” e “mamadeiras” apareciam em anotações e conversas interceptadas pela Polícia Federal. O grupo, que enviava drogas para a Europa e Dubai utilizando garrafas térmicas, também criava empresas de fachada para lavagem de dinheiro.

A operação White Coffee resultou na prisão de cinco suspeitos, enquanto outros três ainda são procurados. Durante as investigações, a PF identificou que a quadrilha usava uma linguagem cifrada para se referir à droga e aos processos do tráfico. “Escama”, “café”, “peixe” e “peruana” eram alguns dos termos empregados para designar a cocaína. Outros códigos incluíam “azeite” para uma droga específica, “barricas de café” para pacotes de entorpecentes e “mamadeiras” para a cocaína embalada para transporte.

Foto: Polícia Federal/Divulgação

O grupo atuava de forma estruturada, dividindo as funções em recebimento da droga, manipulação em laboratório, embalagem e envio ao exterior. A cocaína chegava da Colômbia e Bolívia e passava por processos de adulteração para aumentar seu volume e rendimento. O esquema de envio envolvia remessas expressas, com o uso de uma empresa fictícia para despachar as drogas, camufladas em garrafas térmicas, roupas infantis e outros objetos.

A descoberta da quadrilha começou em setembro de 2024, quando a Polícia Militar prendeu um homem em Campinas após localizar um laboratório clandestino de drogas. Com ele, foram apreendidas anotações detalhadas sobre a operação. A análise dos documentos e registros financeiros revelou a amplitude do esquema, incluindo o uso de Microempreendedores Individuais (MEI) para ocultar a origem dos lucros.

Os traficantes utilizavam substâncias como fentanil e cafeína para diluir a cocaína, criando versões de menor custo e maior alcance no mercado. A droga de alta pureza era destinada ao exterior, onde há maior demanda por esse tipo de produto. Além da cocaína, o laboratório armazenava outros entorpecentes, como maconha, que eram comercializados no mercado interno.

Os investigados responderão por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico e lavagem de dinheiro, crimes que podem resultar em penas de até 40 anos. Além das prisões, a operação incluiu bloqueio de bens e valores dos envolvidos. O nome da operação, White Coffee, faz referência ao código “café”, usado pelos suspeitos para se referirem à cocaína.

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