

A queda do voo 2283 da Voepass, registrada em agosto de 2024 em Vinhedo, continua gerando desdobramentos importantes para a segurança da aviação. O relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos deve recomendar a substituição de uma peça em aeronaves da fabricante ATR, modelo utilizado no voo que caiu no município.
A recomendação está relacionada ao sistema anti-gelo da aeronave, mecanismo fundamental para evitar o acúmulo de gelo nas asas durante o voo. Desde o início da investigação, especialistas apontam esse sistema como um dos principais pontos analisados após o acidente que marcou a história recente de Vinhedo.
O relatório preliminar do Cenipa já havia indicado possíveis falhas no sistema de degelo das asas (airframe de-icing) do ATR 72 operado pela Voepass Linhas Aéreas. Registros da cabine mostram que, durante o voo, os pilotos relataram dificuldades e acionaram pelo menos três vezes o sistema responsável por quebrar o gelo acumulado nas asas.
De acordo com fontes que tiveram acesso às conclusões da investigação técnica, a recomendação de segurança deve ser direcionada às empresas que operam aeronaves desse modelo. Medidas desse tipo são comuns em relatórios do Cenipa e têm caráter preventivo, com o objetivo de reduzir riscos operacionais e evitar que problemas semelhantes possam contribuir para novos acidentes.
Paralelamente à investigação técnica, a Polícia Federal conduz um inquérito para apurar possíveis responsabilidades criminais relacionadas ao caso. O relatório da corporação deve ser apresentado após a conclusão do trabalho do Cenipa.
Diferentemente da apuração criminal, a investigação do Cenipa tem caráter exclusivamente técnico e preventivo. O objetivo é identificar as causas do acidente e emitir recomendações de segurança para fabricantes, companhias aéreas e autoridades da aviação civil, contribuindo para que tragédias como a que atingiu Vinhedo não se repitam.