

A Inglaterra nomeou nesta sexta-feira (3) Sarah Mullally como a nova arcebispa da Cantuária, principal arquidiocese da Igreja Anglicana. É a primeira vez que uma mulher assume a liderança da igreja em 1.400 anos de história do cargo.
Com a decisão, Mullally passa a ser também a líder cerimonial de cerca de 85 milhões de anglicanos em todo o mundo, cargo que pode intensificar divisões com ramos mais conservadores da igreja em países africanos, como Nigéria, Quênia e Uganda.
A escolha foi anunciada pelo gabinete do primeiro-ministro Keir Starmer, com o consentimento formal do rei Charles III, que exerce o papel de governador supremo da Igreja da Inglaterra — função estabelecida no século XVI, após o rompimento de Henrique VIII com a Igreja Católica.
Uma trajetória inesperada
Mullally, de 63 anos, é ex-enfermeira e chegou a ocupar o cargo de diretora de Enfermagem da Inglaterra nos anos 2000. Ela defende uma igreja aberta e transparente, capaz de lidar com diferenças e discordâncias.
“Há grandes semelhanças entre a enfermagem e o sacerdócio. É tudo uma questão de pessoas e de estar com elas nos momentos mais difíceis de suas vidas”, disse Mullally em entrevista a uma revista britânica.
Embora não estivesse entre os nomes mais cotados, ela se torna a 106ª arcebispa da Cantuária, liderando uma das últimas áreas da vida pública britânica historicamente dominadas por homens.
Reação e oposição
A decisão foi possível graças a reformas introduzidas há 11 anos, que permitiram a nomeação de mulheres para cargos de liderança dentro da Igreja Anglicana.
No entanto, a escolha gerou críticas. A GAFCON — grupo de igrejas anglicanas conservadoras da África e da Ásia — afirmou em comunicado que a nomeação mostra que a Igreja da Inglaterra teria “renunciado à sua autoridade de liderança”, e declarou que a redefinição da Comunhão Anglicana estaria agora em suas mãos.
A Igreja da Inglaterra estava sem líder desde novembro do ano passado, quando Justin Welby renunciou ao cargo após um escândalo de encobrimento de abuso infantil.