Que chorem os arlequins!

Foto: Luiza Monteiro / Riotur

Alô, Alô, legentes foliões!

“Se a única coisa de que o homem terá certeza é a morte; a única certeza do brasileiro é o Carnaval no próximo ano”, já nos disse Graciliano Ramos, salvo alguma pandemia é claro.

A verdade é que para fugir da louca realidade dos dias “normais”, nada mais adequado que a desvairada fantasia dos carnavais: esse período pagão, essa suspensão psicanalítica com data acordada para acontecer todos os anos, esse atestado sociocultural metido para indultar todos ou quase todos os pecados e depois tomar as cinzas em sinal de “arrependimento e perdão”.

Existe uma boa do Nietzsche, que diz: “A moral não passa de uma interpretação – ou mais exatamente de uma falsa interpretação – de certos fenômenos.”

A tal moralidade é sempre de um grupo, nunca de todos. E por depender de grupos e de seus acordos socioculturais, confrontos morais são inevitáveis.

Mas e quando um fenômeno social e cultural, feito o Carnaval, se dá, para onde vai a moralidade diante das inúmeras interações que ocorrem entre grupos de morais contrarias? – ou eu deveria dizer contraditórias?

Nas “Sapucaís” das suspensões carnavalescas, onde a moral e os bons costumes nunca teriam nota dez em harmonia, quem poderia julgar alguém? Quem teria tal moral?

Coerente mesmo foi o virginal tapa-sexo da mais nova rainha de bateria da nobre avenida do Carnaval carioca, que se recusava a cumprir sua função moral e quase abandonou o desfile, o que poria a realeza em papos de aranha. Mais à frente, enciumado, o emplumado costeiro que se sentiu menosprezado pediu para se retirar e foi atendido.

Fantasia é coisa séria, já dizia aquele pastor da calcinha azul, que foi flagrado numa sigilosa investigação. Aliás, o que se vendeu de kit pastor nesse Carnaval…

Mas tudo tem limite e vamos combinar que não dá para enlatar neoconservadores no Carnaval. Tem que deixar ser feliz, afinal a suspensão moral foi ativada e quem quiser que saia da lata, que vista a peruca, a blusinha, a calçola e que investigue o que quiser na avenida, pois é Carnaval e nada deve ser levado a mal. Que abram alas aos que querem passar, que deixem as águas rolar, que chorem os arlequins, que se vistam com uma casca de banana nanica, que não usem vestidos, que não vistam calções, bandeira branca, amor!

“Tanto riso! Ó quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão…”

Quer saber as últimas notícias de Valinhos, siga o nosso Instagram: https://www.instagram.com/jornalterceiravisao/

Leia anterior

Valinhos alcança 82% de alunos leitores no 2º ano e supera média do Estado

Leia a seguir

Cachorro de Valinhos ultrapassa 200 mil seguidores nas redes sociais