De aulas improvisadas no quarto ao comando da Musiartium, professor e músico construiu uma vida dedicada a realizar sonhos através da música


Quando se fala em música em Valinhos, é impossível não lembrar de Rinaldo De Paula. Músico desde cedo, ele recorda que o fascínio pelos instrumentos começou ainda na infância. “Era mágico poder me conectar com o som e o que eu tinha ao meu redor. Ficava tamborilando em latas de leite em pó ou tentando tirar som de violões de brinquedo”, relembra.
O hobby foi ganhando espaço até se transformar em caminho profissional. Na década de 1990, enquanto tocava em bares e com bandas da região, um encontro inesperado mudou sua vida. “Dois rapazes me pediram aulas de guitarra. Nunca havia pensado nisso, mas resolvi aceitar o desafio”, conta. Assim, em 1994, deu sua primeira aula, usando um método próprio criado por ele.
As aulas começaram no próprio quarto da casa dos pais. “Era meio desconfortável… às vezes o próximo aluno chegava e ficava com meu pai na sala assistindo ao telejornal”, lembra, rindo. Mais tarde, mudou-se para um espaço na casa da avó, até que, em 2012, ao lado da esposa Aline Pagnota, nasceu oficialmente a Escola de Música Musiartium.
O projeto foi além de oferecer cursos tradicionais. “Fomos pioneiros em Valinhos ao abrir turmas de musicalização infantil para bebês a partir de oito meses”, destaca. Hoje, a escola atende todas as idades e oferece um ensino humanizado, feito sob medida para cada aluno.
Fora das salas de aula, Rinaldo mantém a paixão pelos palcos. Atua em serenatas com a esposa, integra a banda da filha Isa e leva seu projeto solo de walking music para eventos. Com formação sólida que inclui Conservatório de Tatuí, bacharelado, licenciatura e pós-graduação na Unicamp, Rinaldo vê seu trabalho muito além da técnica. Hoje, quem entra na Musiartium não encontra apenas instrumentos e partituras, mas um espaço onde cada acorde carrega a dedicação de um professor que fez da música sua missão de vida. “Para mim, o sentido de ser educador musical é usar a música como ferramenta para transformar vidas”, conclui.