Trem de doido

Olá, legentes!

Eu sei que os sonhos não envelhecem, mas sonhadores às vezes se vão, e lá se vão, e fica um vão, ausência, e o coração na curva de um rio, rio, rio, rio, rio, rio … Rio… E lá se vai mais um dia.

Eu já disse: sonhos não envelhecem, mas em meio a tantos gases lacrimogênios, como podem ser calmos, calmos, calmos, calmos, calmos?

Não é fácil sonhar em lugares de poucas esquinas e muitas vielas. Lugares onde ao primeiro passo, asso, asso, asso, asso, aço, aço, aço, aço.

E lá se vai mais um dia. Rio, Rio, Rio, ria, chore, em meio a tantos gases lacrimogênios, aço, aço, aço, aço.

E lá se vai mais um dia… sem muro branco…  sem voo pássaro, mais um dia de muro picotado, tinto rubro, negro, drone-pássaro, grade, janela lateral do quarto de fugir, mas isso é tão normal que você não quer acreditar, porque quando eu falava dessas cores mórbidas, quando eu falava desses homens sórdidos, quando eu falava desse temporal, você não escutou.

E assim como ontem, agora, temos as torres e os cemitérios… os homens e os seus velórios… a janela lateral do quarto de dormir, fugir, ganir, morrer.

Mas isso é tão normal, Rio, Rio, Rio, ria, chore, chora no compasso do aço, aço, aço, aço e do drone-pássaro. Descompasso.

E lá se vai mais um dia em que eu já nem sei mais se os sonhos não envelhecem, porque eu vejo o sonho no chão… um estranho silêncio na rua, um incêndio calado no homem que passa por mim.

E lá se vai mais um dia… cores mórbidas, homens sórdidos, temporal.

Mas isso é tão normal.

E toda vez que o velho sol se apaga, preciso e procuro não me apagar, e quando chego na minha cama eu te imagino melhor — dia, mundo, Minas, vida, Rio… —, mas me agride o sonho no chão. Uma festa não apaga o estranho silêncio na rua — um príncipe no vôlei de areia, pênalti, Carnaval —.

Aliás, que silêncio? Nem silêncio há, e só aço, aço, aço, aço, drone-pássaro, lacrimogênio. E tem um trem que aperta, que nem é azul, que leva o sonho, e faz ventania, e que nem gera canção. Sonho no chão.

Caramba, Lô! Você bem que falou, cantou, gritou, lá das Minas. Mas, sei lá… Não te escutaram.

Daí aquele trem azul fica difícil de embarcar, parece impossível.

O teu trem azul, que atravessou o tempo, estações, espaço, Minas, Rio, São Paulo, Bahia, Brasil, tem que nos resgatar desse trem de doido que a gente se meteu.

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