Na América Latina, pelo menos 14 países já fizeram a mudança
O Brasil está se preparando para substituir gradualmente a vacina oral contra a poliomielite (pólio) pela versão intramuscular, com o objetivo de aprimorar a proteção da população. A decisão, anunciada pelo Ministério da Saúde em 7 de julho de 2023, segue a recomendação da Câmara Técnica de Assessoramento em Imunização (CTAI), baseada em novas evidências científicas que destacam a maior segurança e eficácia da versão intramuscular (VIP) em relação à oral (VOP).


A vacinação contra a pólio no Brasil atualmente envolve três doses da VIP aos 2, 4 e 6 meses de idade, além de duas doses de reforço da VOP aos 15 meses e aos 4 anos de idade. A partir do primeiro semestre de 2024, o governo federal orientará uma mudança nesse esquema, eliminando as duas doses de reforço da vacina oral e substituindo-as por apenas uma dose de reforço da VIP aos 15 meses de idade. Com isso, o esquema completo passará a incluir quatro doses: aos 2, 4, 6 e 15 meses de idade.
A vacina oral, conhecida por sua facilidade de aplicação e baixo custo, desempenhou um papel fundamental na erradicação da pólio no Brasil e em outros países. No entanto, pesquisas recentes mostraram que a VIP é mais segura e eficaz, enquanto a VOP pode, em casos raros, causar quadros de pólio vacinal com sintomas semelhantes aos da pólio selvagem.
A presidente da Comissão de Certificação da Erradicação da Pólio no Brasil, Luíza Helena Falleiros Arlant, destaca que a VIP oferece maior proteção e é mais segura, além de reduzir eventos adversos. A decisão de substituir a vacina oral é baseada em estudos realizados a partir dos anos 2000, que evidenciaram as vantagens da VIP.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem como meta global substituir a vacina oral pela intramuscular em todo o mundo até 2030. Pelo menos 14 países na América Latina já adotaram essa mudança. A erradicação da pólio no Brasil é um marco importante, com o país não registrando casos desde 1989 e recebendo a certificação de área livre de circulação do poliovírus selvagem em 1994. A vacinação eficaz é essencial para manter essa conquista e proteger a população contra a pólio, uma doença que pode causar paralisia permanente e até mesmo a morte. Portanto, a transição para a VIP é uma medida importante para garantir a segurança e a eficácia da imunização contra a pólio no Brasil.