Por Gabriel Previtale


Casos de surtos agressivos e episódios de violência física registrados nas últimas semanas em Valinhos têm acendido um sinal de alerta não apenas nas ocorrências policiais, mas também na área da saúde mental. Para entender os fatores que podem levar a esse tipo de comportamento, o Jornal Terceira Visão conversou com a médica psiquiatra Dra. Karina B. S. Barbi, membro do Departamento de Psiquiatria da SMCC (Sociedade de Medicina e Cirurgia de Campinas) e docente da PUC-Campinas.
Segundo a especialista, a violência grave não é um comportamento natural do ser humano, e está frequentemente associada a algum tipo de desordem mental. “É difícil prever se um indivíduo vai ter um surto de agressividade, pois além do estado psíquico, fatores ambientais também podem contribuir, como situações de estresse ou conflitos interpessoais”, explica.
A psiquiatra afirma que surtos agressivos podem ocorrer até em pessoas sem histórico de transtornos mentais. “Se a pessoa estiver emocionalmente fragilizada por algum quadro psíquico e vivenciar um estresse intenso, pode ter uma reação agressiva. Nestes casos, também é necessário investigar causas orgânicas, como alterações neurológicas”, ressalta.
Entre os fatores que podem desencadear esses surtos, estão transtornos de humor, transtornos psicóticos, distúrbios de personalidade ou até mesmo tumores cerebrais, demência e uso de substâncias psicoativas.
Alterações bruscas no comportamento devem ser vistas com atenção, segundo Dra. Karina. “Falas desconexas, insônia, agitação incomum ou reações desproporcionais a situações cotidianas são sinais que familiares e amigos não devem ignorar”, orienta.
Nesses casos, o acompanhamento psiquiátrico é essencial. “Quanto mais precoce for a identificação da alteração psíquica, maior a chance de evitar um surto. O tratamento adequado reduz significativamente o risco”, afirma.