Rota da uva fortaleceu tradição do vinho entre o interior paulista e o Sul de Minas

Imigração europeia, expansão das ferrovias e inovação na viticultura transformaram cidades como Vinhedo, Jundiaí, São Roque e Andradas em referências históricas da produção de vinhos no Brasil

A história da produção de vinhos no Brasil está diretamente ligada à chegada dos imigrantes europeus e ao desenvolvimento das ferrovias, que impulsionaram o cultivo da uva entre o interior de São Paulo e o Sul de Minas Gerais. A tradição, iniciada por portugueses e consolidada por italianos e espanhóis entre os séculos XIX e XX, ajudou a moldar a identidade de municípios como Vinhedo, Jundiaí, São Roque e Andradas.

Em Vinhedo, que ainda integrava o território de Jundiaí no início da expansão vitivinícola, os antigos cafezais deram lugar aos parreirais com a chegada das famílias italianas. A mudança marcou a economia local e permanece representada na bandeira do município. A força dessa tradição também levou à realização da primeira Festa da Uva, em 1948, evento que até hoje celebra a herança cultural da cidade.

Da tradição à inovação

Com o avanço da cultura da uva para Minas Gerais, Andradas consolidou-se como um dos principais polos produtores do país e recebeu, em 2025, o título de Capital Mineira do Vinho. Documentos históricos apontam que a cidade chegou a reunir cerca de 70 vinícolas entre as décadas de 1960 e 1970, preservando até hoje propriedades centenárias, equipamentos antigos e histórias da imigração italiana.

Nas últimas décadas, a viticultura brasileira ganhou um novo impulso com a técnica da dupla poda, desenvolvida no Sul de Minas. O método permitiu elevar a qualidade dos vinhos finos produzidos no país e influenciou regiões paulistas tradicionais, como Espírito Santo do Pinhal. A combinação entre clima favorável, solo adequado e inovação tecnológica consolidou uma nova fase para a produção nacional, mantendo viva uma tradição iniciada há mais de um século.

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