
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na segunda-feira (9) que pode impedir a inauguração de uma nova ponte entre os Estados Unidos e o Canadá e defendeu que o país tenha controle de “pelo menos a metade” da infraestrutura. A declaração foi feita em publicação na rede Truth Social, na qual Trump condiciona a abertura da ponte a compensações ao governo norte-americano.
“Não permitirei que essa ponte seja inaugurada até que os Estados Unidos sejam totalmente compensados por tudo o que lhes demos, e também até que o Canadá trate os EUA com a justiça e o respeito que merecemos. Começaremos as negociações imediatamente”, escreveu o presidente.
Na mesma publicação, Trump acusou o Canadá de tratar os Estados Unidos de forma injusta por décadas e de tentar “tirar vantagem” da relação bilateral. O presidente norte-americano também criticou o boicote canadense a produtos dos EUA e a aproximação econômica do país vizinho com a China. Sobre esse ponto, Trump afirmou, sem apresentar provas, que a China pretende acabar com o hóquei no gelo no Canadá.
A nova ponte ligará a cidade de Detroit, no estado de Michigan, à cidade de Windsor, na província canadense de Ontário, atravessando o rio Detroit. Batizada de Gordie Howe, em homenagem a uma lenda canadense do hóquei no gelo, a estrutura tem 2,5 quilômetros de extensão e um vão principal de 853 metros, o que a torna a ponte estaiada mais longa da América do Norte.
As obras tiveram início em 2018 e o custo total do empreendimento é estimado em US$ 4,7 bilhões, cerca de R$ 24,4 bilhões. A inauguração está prevista para este ano, após a conclusão de um período de testes operacionais.
De acordo com informações da entidade responsável pela administração da ponte, a nova ligação será estratégica para o comércio entre os dois países e deverá aliviar o congestionamento da Ambassador Bridge, que também conecta Detroit e Windsor e responde atualmente por cerca de 30% do comércio bilateral entre Estados Unidos e Canadá.
Ainda segundo a administração da ponte Gordie Howe, a construção foi financiada integralmente pelo Canadá e a infraestrutura será de propriedade conjunta do governo canadense e do estado de Michigan.
Desde o retorno de Trump à Casa Branca, em 2025, as relações entre Estados Unidos e Canadá têm sido marcadas por tensões, especialmente no campo comercial. Em diferentes ocasiões, o presidente norte-americano afirmou que o Canadá deveria se tornar o “51º estado dos EUA”, declaração que provocou forte reação negativa da população e do governo canadense, além de estimular boicotes a produtos norte-americanos.
Mais recentemente, Trump ameaçou impor tarifas de 100% ao Canadá após uma visita do primeiro-ministro Mark Carney à China e a assinatura de um acordo comercial preliminar com Pequim. Em resposta indireta, Carney afirmou durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos, que o sistema de governança global enfrenta uma “ruptura”, em referência às recentes posturas adotadas por Washington.
Até a última atualização desta reportagem, o governo canadense não havia se manifestado oficialmente sobre as novas ameaças feitas pelo presidente dos Estados Unidos.
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