

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou duramente a apresentação de Bad Bunny no show do intervalo do Super Bowl, na noite deste domingo (8). Em uma publicação nas redes sociais, sem citar diretamente o nome do artista, o republicano classificou o espetáculo como uma “bagunça” e um dos “piores de todos os tempos”.
“Absolutamente terrível, um dos piores de todos os tempos. Não faz sentido nenhum, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”, escreveu Trump. Em seguida, afirmou que “ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo” e que a dança seria “repugnante”, concluindo que o show seria “um tapa na cara do nosso país”.
Bad Bunny foi o responsável pela apresentação musical do evento que marca a grande final da liga de futebol americano dos Estados Unidos, considerado um dos programas de maior audiência da televisão norte-americana. Neste ano, o Super Bowl foi realizado no Levi’s Stadium, na Califórnia, com a disputa entre New England Patriots e Seattle Seahawks.
Antes mesmo de subir ao palco, a escolha do artista já vinha gerando forte repercussão, especialmente entre apoiadores de Trump. Grupos conservadores chegaram a organizar uma “programação paralela” como forma de protesto contra a apresentação.
A reação política não é surpresa. Bad Bunny é conhecido por manter um posicionamento político claro e associado à sua trajetória artística. Em 2019, o cantor interrompeu uma turnê para participar ativamente dos protestos que levaram à renúncia do então governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló. Na ocasião, esteve ao lado de artistas como Residente, iLe e Ricky Martin, tornando-se uma das vozes mais influentes do movimento.
Ao longo da carreira, o músico também se destacou por não abrir mão de sua identidade latina para conquistar espaço no mercado dos Estados Unidos — algo diferente do caminho seguido por artistas como Shakira e Ricky Martin em fases iniciais de suas carreiras. Suas músicas mantêm letras em espanhol, com forte influência do reggaeton e do trap latino, além de referências culturais que vão de clássicos porto-riquenhos à bossa nova brasileira.
O show do intervalo do Super Bowl é um dos eventos musicais mais assistidos do mundo, reunindo mais de 100 milhões de telespectadores apenas nos Estados Unidos. Tradicionalmente, trata-se de um entretenimento pensado para ser amplo e pouco controverso, com foco na manutenção da audiência e no faturamento publicitário.
Apesar disso, episódios pontuais marcaram a história do evento, como o gesto obsceno feito por M.I.A. em 2012 ou a apresentação de Beyoncé em 2016, quando a cantora incorporou referências aos Panteras Negras. Mais recentemente, em 2025, um dançarino do show de Kendrick Lamar exibiu bandeiras da Palestina e do Sudão e acabou detido.
Desta vez, o contexto político torna o episódio ainda mais sensível. O Super Bowl ocorreu em meio a uma onda de manifestações contra o Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE), após mortes atribuídas a ações da agência no estado de Minnesota. Durante o anúncio de Bad Bunny como atração principal, a secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, chegou a afirmar que o ICE estaria “em todo o lugar” durante o evento.
Dias depois, porém, a chefe de segurança da NFL, Cathy Lanier, declarou que agentes do ICE não teriam qualquer participação na operação do Super Bowl. Ainda assim, o clima de tensão permanece, especialmente em um momento em que políticas anti-imigração ganham força no debate público norte-americano.
Nesse cenário, a presença de um artista identificado como porta-voz simbólico da comunidade latina no palco de um dos maiores eventos do país acabou se tornando mais do que um espetáculo musical — e reacendeu disputas culturais e políticas que extrapolam o futebol americano.
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