

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entrou com dois processos por difamação contra a emissora pública britânica BBC nesta segunda-feira (15). Nas ações protocoladas na Justiça, Trump solicita indenizações de US$ 5 bilhões em cada processo, totalizando US$ 10 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 54 bilhões.
Trump acusa a BBC de editar de forma indevida um discurso realizado em 6 de janeiro de 2021, data em que apoiadores do então presidente invadiram o Capitólio, em Washington, na tentativa de impedir o Congresso de certificar a vitória de Joe Biden nas eleições de 2020.
O caso ganhou repercussão internacional em novembro, após o jornal britânico Telegraph divulgar a existência de um documento interno da BBC que apontava distorções na edição do material exibido. Segundo a reportagem, apesar do reconhecimento interno, diretores da emissora afirmaram que a edição não violou os padrões editoriais da empresa.
Os processos têm como alvo um documentário exibido no programa Panorama, um dos principais da emissora, veiculado semanas antes das eleições presidenciais norte-americanas de 2024. A produção utilizou trechos de um discurso feito por Trump pouco antes de o Congresso declarar oficialmente a vitória de Biden.
De acordo com a acusação, a BBC uniu partes distintas do discurso, pronunciadas com um intervalo superior a 50 minutos, dando a entender que Trump teria feito um apelo direto à violência. O documentário apresentou como sequência contínua a frase em que Trump afirmou que caminharia até o Capitólio, seguida de outra declaração em que dizia que seus apoiadores deveriam “lutar com todas as forças”.
Trump nega qualquer responsabilidade pelos atos ocorridos naquele dia e sustenta que a edição do material alterou o sentido original de suas palavras, prejudicando sua imagem pública.
Em novembro, a BBC reconheceu que a edição foi um “erro de julgamento” e apresentou um pedido formal de desculpas. A emissora, no entanto, declarou que não considera haver base legal para a ação por difamação e afirmou que irá se defender judicialmente.
O episódio provocou forte impacto interno na empresa. O diretor-geral da BBC, Tim Davie, e a chefe da BBC News, Deborah Turness, deixaram seus cargos após o caso. O presidente da emissora, Samir Shah, também enviou uma carta à Comissão Parlamentar de Cultura, Mídia e Esportes do Reino Unido reconhecendo que a edição deu a impressão de um apelo direto à violência.
À época, o governo britânico manifestou apoio institucional à BBC, mas cobrou correções rápidas e manutenção dos padrões de qualidade editorial.
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