Por Gabriel Previtale
O artista Vitor Salgado, 40 anos, descobriu no bordado uma nova forma de expressar sua sensibilidade. Fotógrafo de profissão e apaixonado pelas artes desde a infância, ele encontrou nas linhas e tecidos um meio de unir observação, cor e reflexão.
“Em casa, sempre estivemos cercados por arte. Ouvíamos muita música, de estilos variados, e isso me influenciou desde cedo. O bordado surgiu em 2018, quando descobri pela internet um universo imenso de cores, texturas e estilos”, conta.
Para ele, o bordado não substituiu a fotografia — ele a complementa. “Foi algo natural. Eu não larguei a fotografia, apenas agreguei uma nova necessidade artística”, afirma.
Entre seus principais desafios, o artista destaca o tempo e a paciência exigidos por cada trabalho. “Bordar demanda atenção. Cada ponto é uma escolha, um gesto de calma”, diz.
Seu estilo, que ele define como “cubismo têxtil”, nasce da observação do cotidiano e da estética documental. “Meu processo criativo vem das cenas comuns, daquilo que passa despercebido. Gosto de transformar o simples em algo simbólico”, descreve.
Vitor utiliza diversos suportes para suas criações: algodão cru, papel, madeira e até roupas. “Qualquer material que aceite linha, tinta e ponto pode virar arte”, afirma.
Mais do que buscar inspiração, ele tem um propósito: deixar algo belo e provocador para o futuro. “O papel do artista é questionar, provocar e, ao mesmo tempo, criar algo belo. Essa é a missão”, reflete.
Embora o bordado ainda seja uma linguagem recente em sua carreira, os resultados já apareceram. Vitor foi premiado no Salão de Artes Visuais 2025 (Sav25) com a obra “Dualidade Vermelha” e criou um bordado especial para o Coletivo Fiapo.
Ao fim, o artista faz um convite aos colegas da cidade: “Gostaria que os artesãos de Valinhos se unissem à Associação Portal do Cristo. É importante fortalecer o artesanato local e valorizar o trabalho manual que representa tanto da nossa cultura.”







