Papa Leão XIV clama pelo fim das guerras na Ucrânia e em Gaza: “Guerra nunca mais!”

Diante de mais de 100 mil fiéis reunidos na Praça de São Pedro, o papa Leão XIV fez neste domingo (11) um apelo emocionado pelo fim dos conflitos armados na Ucrânia e na Faixa de Gaza. Em sua primeira oração dominical do Regina Coeli como pontífice, o sucessor de Francisco usou palavras firmes contra a guerra: “Guerra nunca mais!”.

Ao meio-dia em ponto, no horário local (7h em Brasília), a cortina da Basílica de São Pedro se abriu para a primeira aparição do novo papa durante a tradicional oração pascal. Aclamado pela multidão que gritava “Prevost! Prevost!” — referência ao sobrenome de batismo de Leão XIV —, ele evocou o legado de Francisco, que nos últimos meses de vida dedicou intensas orações pela paz mundial.

“No atual cenário dramático de uma Terceira Guerra Mundial fragmentada, como o papa Francisco afirmou várias vezes, apelo aos poderosos do mundo, repetindo o apelo sempre presente: guerra nunca mais!”, declarou Leão XIV.

Apelo à paz duradoura

O novo pontífice direcionou especial atenção à Ucrânia, mencionando o sofrimento do povo e as consequências do conflito com a Rússia. Ele pediu a libertação de prisioneiros e o retorno de crianças deportadas — cerca de 20 mil menores teriam sido levados à força para territórios controlados por Moscou.

Olexiy Haran, professor de política comparada da Universidade de Kyiv-Mohyla, destacou a importância da ênfase do papa em uma “paz genuína, justa e duradoura”. Segundo ele, esse posicionamento rejeita a imposição de um acordo injusto por parte de um agressor.

Papa Leão XIV saúda a multidão de fiéis do balcão da Basílica de São Pedro, na Cidade do Vaticano – (crédito: Mídia do Vaticano/AFP)

Gaza: apelo por cessar-fogo e ajuda humanitária

A crise humanitária na Faixa de Gaza também esteve no centro da fala do papa. Leão XIV se disse profundamente consternado com a violência no território palestino:

“Deixem os combates cessarem imediatamente, deixem que a ajuda humanitária seja fornecida à população civil exausta, e que todos os reféns sejam liberados.”

A mensagem foi bem recebida por lideranças internacionais. O embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben, elogiou a postura do pontífice: “A defesa dos valores da civilização humana e da paz entre os povos é o que podemos esperar do guardião da fé cristã”, declarou.

Alzeben acrescentou que a mensagem do papa “aliviará as dores do povo palestino e direcionará a opinião pública para mais empatia com o sofrimento”.

Esperança e continuidade

O discurso de Leão XIV também mencionou o recente cessar-fogo entre Índia e Paquistão, expressando esperança por um acordo duradouro entre os países. Sua primeira fala pública como papa reforçou a continuidade do caminho deixado por Francisco. A irmã Geneviève, famosa por sua proximidade com Bergoglio, estava entre os fiéis e afirmou: “É a continuidade de Francisco”.

Com seu primeiro gesto simbólico — e profundamente político — Leão XIV demonstra que seguirá os passos de seu antecessor ao priorizar o diálogo, a solidariedade e a construção da paz.

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