SKANK CHAMA A SAIDEIRA EM TURNÊ DE DESPEDIDA

Grupo mineiro que já vendeu mais de 5 milhões de álbuns se apresenta dia 5 de agosto, em Campinas

Por Bruno Marques

Com poesia nas letras, doçura nas melodias, eficácia pop nas composições, e inteligência nas tendências, o Skank manteve intacta a formação há mais de 30 anos, sua rica versatilidade e a pulsão energética nos shows. E o próximo será dia 5 de agosto, em Campinas, na Expo Dom Pedro.

A oportunidade é única, pois Samuel Rosa (vocal e guitarra), Henrique Portugal (teclado), Lelo Zaneti (baixo) e Haroldo Ferretti (bateria), juntos desde que trouxeram o ragga de BH para o BR, em 1991, estão em turnê de despedida. E, antes que isso aconteça, a banda concedeu uma entrevista especial ao Jornal Terceira Visão.

Foto: Weber Pádua

A Turnê de Despedida tem a ressalva de ser uma “separação por tempo indeterminado”. Qual o motivo da separação e por quê deixar a brecha para um possível retorno? Afinal, que “trem” é esse?

Henrique Portugal: É a hora de cada um realizar alguns sonhos na música, trabalhar com novos amigos. Essa separação e a turnê de despedida estão previstas desde 2019. É um ciclo de 30 anos com muitas viagens, realizações, mas agora cada um precisa seguir seu caminho.

Com o Skank ativo, a agenda fica cheia, porque não é só fazer os shows, tem entrevistas, planejamento, lançamento de single e cuidar das redes sociais. Tenho mais tempo de vida dentro do Skank do que fora dele. A gente não sabe o que virá no futuro.

Agora o foco é a turnê de despedida junto com nosso público. Nada impede que a gente se reúna, mas também pode ser que não. 

Vocês permaneceram mais de 30 anos entre as bandas de maior sucesso do Brasil. Tudo isso com a mesma formação desde o início. Como conseguiram permanecer unidos como grupo ao longo de tantas mudanças nessas décadas e resistir ao “preço do sucesso”?

Samuel Rosa: Acredito que esses 30 anos de banda sejam frutos de muita dedicação, respeito e realização. Acho que a nossa longevidade se deve a nossa inquietação e ao cuidado com a nossa música, estando toda hora a questionar nosso trabalho e os rumos que tomávamos.

O segredo disso eu não sei, mas temos certeza que gostamos muito do que fazemos. A maturidade foi nos fazendo bem, ao longo dos anos. A família, os filhos, tudo isso fez a gente mudar e refletia na banda também. 

Antes, quando o Haroldo (Ferretti, baterista do Skank) ainda tinha cabelo, era tudo fita, vinil e CD, vocês reacenderam a boa polêmica em É Proibido Fumar. Hoje é download, streaming, celular e cigarro eletrônico. Como é que vocês, exceto o icônico batera, não ficaram carecas com tudo isso?

Henrique Portugal: Quando lançamos o primeiro disco, não tínhamos ideia do que poderia acontecer. Gastamos todas as economias para gravá-lo. A gente queria seguir um projeto. Queríamos fazer uma música inovadora.

O grande desejo era viver de música. E a sensação de olhar pra trás hoje é maravilhosa. Independente da forma como as músicas são consumidas e todas as adaptações que o mercado foi exigindo ao longo do tempo, o mais importante para nós é que as nossas músicas tenham um sentido na vida das pessoas. Esse é o nosso legado. Foi isso que sempre nos motivou. 

Beatles, britpop, ragga e música latina são algumas das influências mais notáveis nas músicas do Skank. Essa mistura foi o que fez o grupo conquistar e permanecer no sucesso ou seria algum outro aspecto também?

Henrique Portugal: Acho que são muitos aspectos juntos. Sem dúvida que conversar com outras vertentes musicais, criar novas frentes, e flertar com outros estilos, tenha sido um dos nossos trunfos.   

Como o conjunto sobreviveu aos horrores de confinamento na pandemia? Esse período de estagnação nos shows refletiu em uma energia diferente nesta atual turnê? Se sim, desse modo, será a de despedida mesmo?

Samuel Rosa: A Turnê de Despedida estava programada para 2020 e tivemos que adiar. Foram tempos muito difíceis para o nosso setor, não havia como planejar nada a longo prazo, não tinha como gravar clipes com grande produção, e não tinha como estar com o nosso público.

As lives que fizemos nos ajudou um pouco a suprir isso e era até empolgante imaginar quantas pessoas estavam conectadas com o Skank nos shows virtuais. Era um jeito de matar as saudades do exercício da nossa profissão.  

A atual perna da turnê alterna shows no sul de Minas Gerais e interior de São Paulo. Nessa política do “café com leite”, quais as diferenças e semelhanças que vocês sentem em tocar nessas regiões?

Henrique Portugal: Cada região do Brasil nos recebe de uma maneira. Mas todas com muito respeito à história do Skank. Nossas músicas se misturam com as histórias dos nossos fãs e tem sido muito gratificante passar por tantas cidades diferentes. 

Na política nacional, o Skank passou – não tão Sutilmente – de Collor ao mineiro Itamar, FHC, Lula, Dilma, Temer e ao atual. Como o conjunto lidou com essas mudanças e o que acham delas? Ainda há pouca In(Dig)Nação e muito Pacato Cidadão?

Samuel Rosa: Sem dúvida há muita indignação com a política brasileira. Vivemos um retrocesso com discursos baseados em violência, força bruta e totalitarismo. Nosso país vive um mau momento político e econômico. Ouso dizer que um dos piores, porque voltamos a algo que achei que nunca mais iriamos passar. 

O Samuel fez 56 anos no último dia 15. Aquelas partidas com respeitáveis atuações no Rock Gol ficam cada vez mais longe no tempo, mas ainda perto da memória. E quanto à Uma Partida de Futebol, Samuel ainda pode dizer “Ainda Gosto Dela”? Comente sobre a ligação que o conjunto sempre gostou de fazer do Futebol com a música.

Samuel Rosa: Nunca foi segredo para ninguém o deslumbramento que o Futebol exerce na banda. Somos sempre muito lembrados pelo público quando o tema é Futebol. Essa marca sempre nos acompanha desde o começo. No primeiro disco, na faixa “In(Dig)Nação”, fazemos uma homenagem a algumas torcidas no final.

Gostamos muito de Futebol. Acompanhamos nossos times e gostamos de falar sobre eles, da história de Cruzeiro e Atlético-MG, tanto em fases boas quanto em fases ruins. 

Agora a pergunta de fã: O próximo show é no dia 5, então aqui estão 5 músicas dentre as minhas favoritas do Skank: Tanto, Tão Seu, O Homem das Cavernas, Calipsoê e Canção Noturna. Poderia, por favor, comentar brevemente sobre cada uma delas?

Samuel Rosa: “Tanto” é uma versão da música I Want You, do Bob Dylan, feita pelo meu parceiro de composição, Chico Amaral. O Skank tava ensaiando a veia compositora no primeiro álbum e resolvemos colocar essa versão, que foi escolhida como o primeiro single.

“Tão Seu” foi o terceiro single do disco Samba Poconé. Foi uma música que tocou muito junto com “Garota Nacional” e “É Uma Partida de Futebol”. Elas moveram o disco de uma maneira geral. É uma música muito poderosa no show, um dos momentos de ápice nas apresentações.

“Os Homens das Cavernas” fiz também com meu parceiro Chico Amaral e entrou no quarto disco Siderado, lançando em 1998. Esse álbum foi mixado nos estúdios Abbey Road, dos Beatles, o que foi um grande orgulho para gente.  

“Canção Noturna”, apesar de ser muito íntima e familiar, não é minha. Mas é de dois grandes amigos e artistas que eu admiro demais que são Lelo Zaneti (baixista do Skank) e Chico Amaral. É uma das canções obrigatórias no repertório dos shows e uma das que tenho mais prazer em cantar. Gosto muito do trabalho que o Skank fez na roupagem da música porque foi num período muito inventivo da banda.  

“Calipsoê” também é do Siderado, que foi um álbum de rompimento de velhas formas e que veio depois do sucesso de Samba Poconé. Queríamos partir para outra experimentação e essa faixa é um pouco sobre isso. Não foi a canção mais conhecida do disco, que teve “Resposta” e “Saideira” como destaque. 

Dia 5 de agosto, Campinas e região esperam o Skank para um grande show. Que lembranças vocês têm daqui e quais as expectativas para esta apresentação. Mandem um recado para seus fãs daqui.

Henrique Portugal: A expectativa é muito grande porque Campinas e o público da região sempre nos recebeu muito bem. Estamos ansiosos para chegar na cidade e dividir esse momento com nossos fãs campineiros.

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