

(Foto: Alex Fernandes/Governo de SP)
Um relatório do Unicef e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que o 47º Batalhão da Polícia Militar do Interior (BPM/I), em Campinas, está entre os dez mais letais do estado de São Paulo em 2024. A unidade registrou 19 mortes em intervenções policiais, empatando na quarta colocação com o 16º BPM/M, da capital paulista.
O estudo aponta que os dez batalhões com maior número de mortes foram responsáveis por 211 casos — cerca de 32,4% do total registrado no estado. O 1º Batalhão de Choque (Rota), em São Paulo, lidera o ranking com 55 vítimas.
O 47º BPM/I responde por mais da metade das 31 mortes provocadas por policiais em serviço em Campinas. Segundo o relatório, o batalhão opera sem câmeras corporais, contrariando as diretrizes estaduais que determinam o uso obrigatório da tecnologia em unidades com alta letalidade e atuação em áreas vulneráveis. Pesquisadores consideram o uso de câmeras um fator essencial para a redução de mortes.
Em todo o estado, foram registradas 649 mortes decorrentes de ações da Polícia Militar em serviço ao longo de 2024. Somando as intervenções de policiais civis e militares fora do expediente, o total chega a 814 vítimas — a maioria homens jovens e negros. Apenas 0,3% das vítimas eram mulheres, enquanto 40,5% tinham entre 20 e 29 anos.
O crescimento mais alarmante está nas mortes de crianças e adolescentes: um salto de 119,8% entre 2022 e 2024. No último ano, 77 jovens entre 10 e 19 anos foram mortos, sendo oito casos registrados em Campinas. A cidade apresenta uma taxa de 3,1 vítimas por 100 mil habitantes, uma das dez mais altas entre municípios com mais de 100 mil moradores no estado.
Em nota, a Secretaria de Segurança Pública afirmou que todos os casos são investigados pelas corregedorias, com apoio do Ministério Público e do Judiciário. A pasta também destacou que vem ampliando o uso de câmeras corporais e aprimorando protocolos e equipamentos das forças policiais.