
O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) resgatou 36 trabalhadores bolivianos que viviam e trabalhavam em condições análogas à escravidão em oficinas de costura na cidade de São Paulo. As operações foram realizadas entre os dias 6 e 17 de outubro e contaram com apoio da Defensoria Pública da União (DPU) e da Polícia Federal (PF).
De acordo com os auditores-fiscais da Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), os trabalhadores cumpriam jornadas superiores a 14 horas diárias, sem registro em carteira, e viviam em alojamentos precários, com presença de ratos e instalações elétricas inseguras.
Na primeira ação, 23 trabalhadores foram encontrados em duas oficinas na Zona Leste da capital. Em uma segunda diligência, realizada no dia 16 de outubro, outros 13 trabalhadores foram resgatados em um imóvel que funcionava como oficina e alojamento, totalizando 36 pessoas exploradas.
Os fiscais relataram que as pessoas dormiam e trabalhavam no mesmo local, em ambientes sem ventilação, pouca iluminação e sem condições básicas de higiene. As pausas diárias eram curtas, e não havia pagamento de horas extras ou vínculo formal de emprego. Muitos trabalhadores não possuíam documentos brasileiros, como o CPF.
Em uma das oficinas, os quartos eram pequenos e sem janelas, com alimentos armazenados diretamente no chão e presença de fezes de ratos em vários cômodos. O local apresentava ainda risco de incêndio, pois o botijão de gás estava dentro da cozinha, sem ventilação adequada, e o extintor estava vencido.
As verbas rescisórias apuradas somaram R$ 405.744,93 nos três locais fiscalizados. Todas as vítimas foram encaminhadas à rede de proteção social, recebendo acolhimento emergencial, acesso ao seguro-desemprego especial para resgatados e encaminhamento para autorização de residência permanente no Brasil.
Casos de trabalho análogo à escravidão podem ser denunciados de forma anônima pelo Sistema Ipê ou pelo Disque 100, disponível 24 horas por dia, inclusive com atendimento por WhatsApp, Telegram e videochamada em Libras.