

Por Vitor Paderes
O jornalista e fotógrafo Gustavo Schiezaro, 43 anos, morador de Vinhedo, acaba de lançar o EP Direito de Festa, trabalho autoral que une crítica social, ancestralidade e celebração como ato político. O projeto marca uma nova fase na trajetória do artista, que começou na música ainda na infância, em uma casa onde o violão e o canto faziam parte da rotina.
Aos 13 anos, Gustavo iniciou no teatro e participou de festivais como o FESTEVI. Estudou canto coral, integrou grupos vocais por mais de uma década e também se envolveu com projetos como o bloco Bloquete, do qual foi um dos criadores. Em 2019, lançou o single “Luar”. Pouco depois, mudou-se para a Austrália, onde viveu por cinco anos. Durante a pandemia, passou a estudar produção musical e produziu de forma independente a canção “Da Salvação”.
A ideia de Direito de Festa surgiu após o artista inscrever três composições em um edital do Bloquete, viabilizado pela Política Nacional Aldir Blanc (PNAB). Duas músicas foram selecionadas para o repertório oficial do bloco. O reconhecimento, que incluiu premiação em dinheiro, serviu de impulso para registrar as faixas com os arranjos que imaginava.
Com influências da MPB e ritmos afro-brasileiros como ijexá e samba-reggae, o EP também dialoga com elementos de cumbia, dub e psicodelia nos remixes. As letras abordam desigualdade, pressões sociais e liberdade dos corpos e afetos, defendendo a festa como ferramenta de sobrevivência e resistência cultural.
Produzido de forma independente, com gravações realizadas em casa, o trabalho representa, segundo Gustavo, um ato de coragem. “A alegria é um ato de insurgência”, resume. O EP Direito de Festa está disponível nas plataformas de streaming.