O automóvel Concorde completa 50 anos em 2026, com apenas 25 unidades produzidas de forma artesanal e sob encomenda. O modelo estará presente no 11º Encontro Brasileiro de Autos Antigos, em Águas de Lindóia. Atualmente, existem exemplares no Brasil e nos Estados Unidos, reforçando sua raridade. Parte das unidades passou por modificações ao longo dos anos. Ainda assim, o carro mantém seu valor histórico.


O projeto surgiu em Jundiaí, idealizado por João Storani, e depois foi produzido em Vinhedo. Iniciado em 1974, teve inspiração nos clássicos dos anos 1930, como Auburn, Cord e Duesenberg. O nome faz referência à Praça da Concórdia. O lançamento ocorreu em 1976, no Salão do Automóvel. O contexto econômico da época favoreceu o projeto.
Em 1978, Storani apresentou uma versão de cinco lugares no mesmo evento. No período, a fábrica foi transferida para Vinhedo por questões burocráticas. O modelo se destacava pela carroceria em fibra de vidro e chassi reforçado. Utilizava mecânica da Ford, com componentes do Ford Galaxie e do Ford Maverick GT. O interior trazia acabamento em couro e madeira.
Comparado a um Rolls-Royce, o carro oferecia luxo e exclusividade. Segundo Storani, o consumo era menor que o do Ford Landau, com peso de cerca de 1,5 tonelada. O radiador tinha 8,5 litros e o tanque, 73 litros. O alto custo, acima do Landau, fez com que a produção fosse limitada. Isso reforçou o caráter exclusivo do modelo.
Storani deixou quatro filhos e oito netos, mantendo o legado familiar. Os filhos participaram diretamente do desenvolvimento do carro. Autodidata, ele projetou o chassi, criou peças e montou o veículo. Seu trabalho uniu técnica e arte no processo de criação. O Concorde acabou se tornando um precursor do conceito de carros retrô. Hoje, é reconhecido como peça importante da história automotiva brasileira.