

O que começou como uma forma de explicar aos filhos seu próprio diagnóstico de autismo se transformou em uma ferramenta de conscientização que hoje ajuda famílias, crianças, adolescentes e profissionais em todo o Brasil. Moradora de Valinhos, a designer Camila Batista encontrou nos quadrinhos uma maneira simples e acolhedora de falar sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA).
Mãe de Giovanna, 21 anos, Samuel, 17, e Manuela, 15, Camila recebeu seu diagnóstico antes mesmo da confirmação do autismo do filho. A suspeita surgiu durante a investigação do caso de Samuel, mas foi ela quem concluiu primeiro o processo de avaliação.
“Receber o diagnóstico foi um divisor de águas. Trouxe respostas para muitas coisas que eu sentia e me ajudou a desenvolver estratégias para lidar com minhas dificuldades”, conta.
A ideia dos quadrinhos nasceu durante a terapia com uma psicóloga especializada em autismo em adultos. Para explicar aos filhos como funcionava sua forma de perceber o mundo, Camila criou uma história ilustrada. O material passou a ser compartilhado nas redes sociais e chamou a atenção de profissionais da área.
“Uma psicóloga que acompanhava meu trabalho sugeriu que eu escrevesse um livro para ajudar crianças e adolescentes que acabavam de receber o diagnóstico”, lembra.
Desde então, ela transformou experiências reais em histórias acessíveis e educativas. Um dos principais exemplos é o livro “Sou Autista, e Agora?”, cujo personagem principal, Yuri, foi inspirado em sua trajetória e na de seu filho.
O projeto ganhou ainda mais significado com a participação da filha Manuela, que criou os primeiros personagens em estilo anime e hoje divide com a mãe a produção das ilustrações digitais.
Para Camila, a informação é a principal ferramenta para combater preconceitos. “O mais importante é entender o autismo e suas características. Quando existe informação, há mais empatia e menos julgamentos”, afirma.
Os relatos que recebe mostram o impacto do trabalho. Pais e educadores destacam que os livros auxiliam na compreensão do diagnóstico e no desenvolvimento das crianças.
Quem quiser conhecer mais sobre o projeto pode acompanhar o perfil @terapiaemquadrinhos no Instagram.


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