

A Sociedade Protetora da Diversidade das Espécies (PROESP) ingressou com uma Ação Civil Pública na Justiça Federal para tentar suspender o leilão da Gleba B da Fazenda Remonta (antiga Coudelaria), área de 162 hectares entre Valinhos e Campinas. O leilão, promovido pela Fundação Habitacional do Exército (FHE), está marcado para esta sexta-feira (31).
A entidade pede uma liminar para impedir a venda da área, alegando que a Fazenda Remonta é essencial para a preservação ambiental da região. Segundo a PROESP, o local contribui para a drenagem das águas do Córrego Invernada, ajuda a reduzir enchentes, preserva a biodiversidade e ameniza as temperaturas na Região Metropolitana de Campinas.
A ação também destaca que a fazenda integra um corredor ecológico entre a Floresta Estadual Serra d’Água e a Estação Ecológica de Valinhos, servindo de habitat para espécies ameaçadas, como o lobo-guará e a onça-parda.
De acordo com o advogado da PROESP, Leonardo Pillon, a venda da área pode causar impactos ambientais irreversíveis. A entidade argumenta ainda que a Fazenda Remonta foi tombada pelo município de Valinhos como patrimônio material ambiental e está inserida na zona de amortecimento da Estação Ecológica de Valinhos. Na avaliação da PROESP, o edital permitiria futura incorporação imobiliária em desacordo com a legislação ambiental e o Plano Diretor.
Outro ponto questionado é o laudo que fixou o valor mínimo do leilão em R$ 90 milhões. A entidade afirma que as Áreas de Preservação Permanente (APPs) foram subdimensionadas, ampliando o potencial de exploração imobiliária.
Segundo a PROESP, os Conselhos Municipais de Meio Ambiente de Valinhos (CONDEMA) e Campinas (COMDEMA) aprovaram moções pela suspensão do leilão, enquanto um abaixo-assinado reúne manifestações contrárias à venda da área.
O processo tramita na 2ª Vara Federal de Campinas e, até o momento, não havia decisão sobre o pedido de liminar.
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