Os Estados Unidos reconheceram publicamente, pela primeira vez, que mantêm em órbita equipamentos considerados armas de controle espacial. A revelação foi feita nesta segunda-feira (14) pelo secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, durante uma conferência militar.
Segundo Meink, os sistemas já estão posicionados no espaço e têm capacidade de atuar na defesa das forças militares americanas diante de possíveis ameaças. O governo, no entanto, não divulgou quais equipamentos estão em órbita, quantos são ou detalhes sobre o funcionamento das tecnologias.
Um funcionário do governo ouvido pelo jornal The Washington Post afirmou, sob condição de anonimato, que os sistemas poderiam destruir ou neutralizar um satélite adversário caso o equipamento esteja sendo utilizado para ameaçar tropas ou satélites dos Estados Unidos.
A Força Espacial dos EUA informou que as capacidades de controle espacial podem ser empregadas tanto em operações defensivas quanto ofensivas. De acordo com o órgão, os sistemas permitem disputar e controlar o domínio espacial por meios classificados como cinéticos e não cinéticos, com o objetivo de afetar recursos de possíveis adversários.
A confirmação representa uma mudança na postura pública de Washington sobre suas capacidades militares no espaço. Até então, autoridades americanas mantinham uma postura mais reservada ao tratar do assunto, citando questões relacionadas à segurança nacional.
A revelação ocorre em um cenário de aumento das tensões estratégicas entre Estados Unidos, China e Rússia. Pequim chegou a pedir nesta terça-feira (15) que Washington pare de se preparar para uma possível guerra no espaço.
Os satélites são considerados essenciais para operações militares modernas, principalmente em áreas como comunicação, navegação, vigilância e coleta de informações. Por isso, a possibilidade de neutralizar equipamentos adversários é tratada pelos países como uma importante capacidade estratégica.
Os Estados Unidos também desenvolvem uma rede de interceptadores espaciais que deverá integrar futuramente o Golden Dome, programa de defesa antimísseis do governo de Donald Trump. Segundo Meink, esses interceptadores estão atualmente “prontos para o voo”, mas não há indicação de que façam parte do armamento cuja existência foi reconhecida agora.
A militarização do espaço ocorre há décadas. Durante a Guerra Fria, Estados Unidos e União Soviética já desenvolviam tecnologias para atingir satélites. Em 1967, os dois países, junto a outras nações, assinaram o Tratado do Espaço Exterior, que proíbe a colocação de armas de destruição em massa, como armas nucleares, em órbita.
O tratado, porém, não proíbe outros tipos de sistemas militares capazes de atingir ou interferir em satélites. Atualmente, além dos Estados Unidos, países como China, Rússia e Índia possuem ou desenvolvem capacidades antissatélite.
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