STF começa a analisar se Alexandre de Moraes pode ser investigado por supostas conversas com Vorcaro

© Valter Campanato/Agência Brasil

O plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) começa a analisar nesta terça-feira (15) se o ministro Alexandre de Moraes pode ser investigado por uma suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, preso no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura possíveis fraudes financeiras envolvendo o Banco Master.

A sessão está prevista para começar às 10h e será transmitida pela TV Justiça e pelos canais oficiais do STF na internet. O caso chegou ao plenário após o ministro André Mendonça, que era relator das investigações relacionadas ao caso Master, encaminhar à Corte conversas identificadas pela Polícia Federal (PF) entre Vorcaro e um número de telefone atribuído a Moraes.

As mensagens foram obtidas após a quebra do sigilo do celular do ex-banqueiro. Segundo a apuração, Vorcaro teria trocado cerca de 50 mensagens com o número antes de sua prisão, em 17 de novembro de 2025.

O caso está relacionado às investigações sobre supostas fraudes financeiras no Banco Master e à tentativa de compra da instituição pelo Banco de Brasília (BRB). Moraes não é o relator do caso Master no STF, mas passou a ter contato com Vorcaro após um escritório de advocacia pertencente à família do ministro prestar serviços ao banco.

Entre as mensagens identificadas pela PF, Vorcaro demonstrou preocupação com o avanço das investigações e mencionou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em outra conversa, o ex-banqueiro questionou sobre a possibilidade de ser preso. Não há, contudo, indícios apresentados no material de que Gonet ou Rodrigues tenham interferido nas investigações.

O julgamento será conduzido pelo presidente do STF, ministro Edson Fachin, que assumiu a relatoria do caso. Após a leitura do relatório, a Procuradoria-Geral da República (PGR) terá a palavra e, na sequência, os ministros iniciarão a votação.

A participação de Alexandre de Moraes na sessão ainda não foi confirmada. A presença do ministro Dias Toffoli também não está definida. Toffoli havia declarado impedimento para participar de julgamentos relacionados ao caso Master.

A PGR, comandada por Paulo Gonet, defendeu durante a tramitação do processo a anulação do relatório da PF que identificou as conversas. Segundo Gonet, André Mendonça teria ultrapassado os limites de sua atuação ao determinar o aprofundamento da apuração envolvendo Moraes sem autorização prévia do plenário.

O STF poderá ainda interromper o julgamento caso algum ministro apresente uma questão de ordem ou peça vista do processo.

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