O Voto que Deixamos aos Nossos Netos

Uma escolha de poucos segundos que pode atravessar gerações

Paulo Pinto/Agência Brasil

Domingo, diante da urna, estaremos sozinhos.

Não haverá filhos, amigos, vizinhos, nem aquela conversa animada da mesa do café. Estaremos apenas nós e a nossa consciência. E talvez seja justamente esse o instante em que deveríamos fazer a pergunta mais simples — e mais difícil: que país estou ajudando a deixar para quem vem depois de mim?

Há um pensamento atribuído a São Tomás de Aquino segundo o qual aquele que consegue conviver com a injustiça sem se indignar acaba, de algum modo, consentindo com ela. Não se trata da raiva que agride, insulta ou deseja vingança. Trata-se daquela inquietação moral que ainda nos faz distinguir o certo do errado.

E talvez esteja aí uma boa medida para o nosso voto.

Não devemos entrar na cabine eleitoral carregando ódio. Mas também não devemos entrar nela carregando indiferença.

Antes de escolher aqueles que irão nos representar, vale perguntar: essa pessoa respeita a verdade? Tem uma vida pública compatível com aquilo que promete? Compreende que o dinheiro público não tem dono porque pertence a todos? Respeita quem pensa diferente? Tem compromisso com a justiça, com a dignidade humana e com aqueles que mais necessitam do Estado?

Nenhum governante é perfeito. Nós também não somos. Mas existe uma diferença enorme entre a imperfeição humana e a desonestidade transformada em método; entre o erro e a mentira deliberada; entre exercer o poder e servir-se dele.

O voto dura poucos segundos. Suas consequências podem durar anos.

E não recaem apenas sobre nós.

Recaem sobre nossos filhos, sobre nossos netos e até sobre aqueles que ainda nem nasceram, mas receberão o país que nossas escolhas ajudaram a construir.

Por isso, no domingo, quando eu estiver diante da urna, quero me lembrar de uma coisa: meu voto é secreto, mas minha responsabilidade não é.

Ninguém verá o número que digitei.

Mas, depois, nós, nossos filhos, nossos netos e aqueles que ainda nem nasceram, viveremos as consequências das escolhas que fizermos no domingo.

Talvez votar seja exatamente isso: pensar no futuro quando ninguém está olhando.

Quer saber as últimas notícias de Valinhos, siga o nosso Instagram: https://www.instagram.com/terceiravisaovalinhos/

Leia anterior

Nossa Senhora Embravecida

Leia a seguir

Brew Festival reúne cerveja artesanal, gastronomia e rock neste fim de semana em Campinas