Cinco anos semeando cultura

Valinhos se aproxima dos seus cento e trinta anos carregando aquilo que poucas cidades conseguem preservar com dignidade: identidade, memória e sensibilidade.

                Há municípios que crescem apenas em concreto. Outros, entretanto, crescem também em alma. E é justamente nesse território invisível da cultura, das artes e das letras que a AVLA — Academia Valinhense de Letras e Artes — vem deixando, ao longo destes cinco anos, uma marca admirável.

                Fundada em 21 de maio de 2021, quando ainda pairavam incertezas e silêncios sobre o mundo, a Academia surgiu como quem acende uma luz discreta, porém necessária. Valinhos, enfim, passava a ocupar seu lugar entre as cidades da região que compreendem que poesia, literatura, música, pintura, fotografia e memória não são adornos sociais: são patrimônios da existência humana.

                E a AVLA nasceu forte.

                Nasceu com quarenta cadeiras, mas sobretudo com quarenta compromissos com a cultura da gente valinhense.

                Seu presidente, André Rosa, ao escolher patronos ligados à história artística da cidade, compreendeu algo essencial: uma Academia não se constrói apenas com estatutos e solenidades, mas com reverência à memória daqueles que ajudaram a formar a identidade cultural de um povo.

                E ao seu lado, com dedicação permanente, sensibilidade rara e espírito agregador, a poetisa Cida Reis, verdadeira alma mater da instituição, segue ajudando a transformar sonhos culturais em realizações concretas.

                Nestes cinco anos, a AVLA não permaneceu enclausurada em formalidades acadêmicas. Ao contrário: abriu portas, promoveu saraus, incentivou concursos literários, aproximou gerações, publicou obras, homenageou talentos e reviveu nomes fundamentais da nossa história cultural, como o visionário Flávio de Carvalho, cuja genialidade continua atravessando o tempo.

                O concurso CLAP reuniu crianças, jovens e integrantes da melhor idade, provando que a literatura não possui calendário biológico. A antologia Entre Letras e Artes tornou-se mais que um livro: converteu-se em testemunho de uma cidade que escreve a si mesma.

                E talvez seja justamente isso o mais bonito da AVLA: ela não apenas produz cultura — ela desperta pertencimento.

                Lamento sinceramente não ter podido estar presente nessa significativa comemoração dos cinco anos da Academia, pois me encontrava em viagem, fora de Valinhos. Ainda assim, mesmo distante fisicamente, meu pensamento permaneceu junto aos acadêmicos, aos convidados e à emoção certamente vivida naquela noite de celebração no Centro Cultural I.

                Porque há ausências que a distância explica, mas que o coração jamais confirma.

                E eu, humilde cronista, confesso com sincero orgulho a honra de integrar tão nobre instituição, que tanto engrandece a cultura valinhense e dignifica aqueles que acreditam na força eterna das letras e das artes.

                Ficam, portanto, meus cumprimentos carinhosos à Academia Valinhense de Letras e Artes, extensivos a todos os acadêmicos, especialmente ao presidente André Rosa e à incansável vice-presidente Cida Reis, pela coragem cultural, pela perseverança e pelo admirável trabalho desenvolvido em prol da arte, da literatura e da memória de nossa querida Valinhos.

                Que os próximos anos venham carregados de ainda mais letras, mais artes e mais humanidade.

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