Bombeira civil e voluntária há 5 anos, ela atua com coragem e amor pela vida, inspirada pela própria família
“Vi animais fugindo do incêndio na Serra dos Cocais e entendi: todas as vidas importam, humanas ou não”, diz Andréia


No dia 2 de julho, data em que se celebra o Dia do Bombeiro Brasileiro, o Jornal Terceira Visão homenageia a trajetória de uma mulher que representa a coragem e a dedicação desses profissionais: Andréia de Souza Santos Jorgino, 40 anos, bombeira civil há cinco anos e bombeira voluntária há três, atuando em Valinhos e em cidades da Região Metropolitana de Campinas.
Casada há 16 anos e mãe de duas filhas — uma adolescente de 15 anos e uma bebê de apenas 1 ano —, Andréia iniciou sua jornada na profissão ao lado do marido, que também é bombeiro. Mas foi um episódio marcante que deu sentido mais profundo à sua escolha: ao ensinar uma criança de seis anos a manobra de desobstrução das vias aéreas, viu a menina salvar a vida da irmã, um bebê de cinco meses. “Ali percebi que essa profissão vai além do dinheiro”, relata emocionada.


O ingresso na profissão foi cheio de desafios: treinamentos exigentes, provas físicas e a necessidade constante de provar sua competência num ambiente ainda predominantemente masculino. Mas nenhum obstáculo foi capaz de parar Andréia. Ainda durante o curso, ela participou de sua primeira ocorrência: um acidente entre moto e quadriciclo na zona rural de Campinas. Estabilizou a vítima por mais de uma hora até a chegada do SAMU. O reconhecimento do médico da equipe foi a confirmação de que estava no caminho certo.
Entre os episódios mais marcantes da carreira, ela destaca os incêndios na Serra dos Cocais, quando presenciou animais tentando escapar das chamas. “Vi uma vegetação verde virar cinza. Estava lá com meu marido e companheiros voluntários, combatendo o fogo com as próprias mãos”, lembra.


Mesmo diante de dificuldades, como a falta de valorização e apoio, Andréia encontra forças nas filhas e no sentimento de que está fazendo a diferença. “Já pensei em desistir, mas sei que vidas não têm preço”, afirma.
Segundo ela, a rotina de um bombeiro vai muito além das emergências: treinamentos constantes, estudos e ações educativas fazem parte do cotidiano. E a família entende bem o papel que ela desempenha. “Minha filha mais velha tem orgulho de mim. E esperamos ser exemplo também para a caçula.”
Ao ser questionada sobre a maior lição que aprendeu como bombeira, Andréia é categórica: “Vidas importam. Todas elas — humanas e animais.”
E para quem sonha em vestir a farda vermelha, ela deixa uma mensagem: “Nunca desista dos seus sonhos. Ser bombeiro é correr para onde todos fogem. Valinhos conta com o 1º Grupamento de Bombeiros Voluntários e todos que quiserem ajudar podem se juntar a nós.”