A Casa Branca ainda não havia reconhecido publicamente a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) até a manhã desta segunda-feira (26), após o resultado do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras. A demora do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contrasta com a rapidez de manifestações de outros líderes internacionais e levanta questionamentos sobre o futuro da relação entre os dois países.
Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu 64 milhões de votos, o equivalente a 51,79% dos votos válidos, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) somou 59 milhões, ou 48,21%. O resultado foi proclamado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) às 21h08 de domingo (25).
Especialistas ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que o silêncio de Trump pode refletir frustração política diante da derrota de um candidato alinhado ao seu campo ideológico. Nos últimos anos, governos conservadores ganharam força na América Latina, movimento que a vitória de Lula interrompe no Brasil.
O pesquisador Christopher Sabatini, do centro de estudos Chatham House, em Londres, destacou que presidentes americanos anteriores reconheceram rapidamente os resultados das eleições brasileiras. Em 2022, por exemplo, Joe Biden parabenizou Lula antes mesmo de Jair Bolsonaro admitir formalmente a derrota.
Já Anthony Pereira, diretor executivo do Centro para Estudos Latino-Americanos da Universidade Tulane, avalia que Washington esperava uma maior aproximação do Brasil com a agenda de Trump, especialmente em temas de segurança e relações internacionais.
Durante o discurso da vitória, Lula defendeu uma política externa independente e afirmou que o Brasil não aceita ser tratado como subordinado por outras nações. A declaração reforçou a posição do presidente eleito de manter relações diplomáticas sem privilegiar um país em detrimento de outro.
Apesar das divergências políticas, os especialistas avaliam que Brasil e Estados Unidos têm interesses econômicos em comum que podem favorecer a manutenção do diálogo. Entre os temas que devem influenciar a relação estão comércio, investimentos, cooperação internacional e a aproximação brasileira com a China.
A postura de Trump também pode ter consequências para o grupo político de Flávio Bolsonaro. Segundo os analistas, um reconhecimento oficial do resultado pela Casa Branca reduziria o espaço para eventuais questionamentos à eleição por aliados do candidato derrotado.
Até a manhã desta segunda-feira, o presidente americano ainda não havia se manifestado publicamente sobre a vitória de Lula, enquanto outros líderes internacionais já haviam reconhecido o resultado das urnas.
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