

Olá, legentes!
Em “Pedagogia do oprimido”, 1968 (em espanhol), Paulo Freire disse que: “Amar é um ato de coragem.”
Dentre tantos gestos possíveis de amar, tenho para mim que alimentar o próximo seja o que mais se aproxima do amor substancial; o qual assemelha-se ao maternal amor, que aleita a cria com seu soro lácteo; sabendo que se não o fizer, a vida não vingará. É dar de si, a própria vida, para que um outro ser possa existir. É comungar a existência; compartilhar.
Vem-me, então, uma palavra cristã: ágape — Refeição em comum compartilhada entre os antigos cristãos; um dos antigos nomes da eucaristia; esmola entre os primeiros cristãos, como nos ensina o Michaelis.
De que vale o cristão que prega a eucaristia e a entrega como sendo o “corpo” de Cristo servido num templo, mas que nega ao necessitado o mesmo corpo-pão aos oprimidos das ruas, avenidas, pontes, praças?
De que vale um arcebispo, que por estranhas razões e fracas justificativas, impõe sanções a um de seus mais dedicados sacerdotes, o proibindo de falar amplamente aos oprimidos e agir em benefício deles?
Por que o cardeal Dom Odilo Scherer, arcebispo responsável pela Arquidiocese de São Paulo, determinou um período de “recolhimento” ao padre Júlio Lancellotti?
Com mais de 2 milhões de seguidores nas redes sociais, padre Júlio Lancellotti é o mais expressivo exemplo cristão da ágape. Suas ações em defesa, cuidado e amor aos oprimidos das ruas o tornaram uma referência de combate à desigualdade social. Seu incessante trabalho humanitário em defesa dos excluídos é que lhe deu destaque e o fez símbolo de uma Igreja acolhedora, que defende e cuida dos marginalizados. — Paulo Freire, se vivo, talvez dissesse: ele ama com coragem.
É bem verdade que Dom Odilo não ordenou a paralisação das ações de padre Júlio Lancellotti, que segue a cuidar dos excluídos de sua paróquia (São Miguel Arcanjo, no bairro da Mooca, na capital paulista, onde ele se doa há mais de 40 anos), mas o arcebispo ameaçou transferi-lo de lá. — covardemente.
Eu que não sou de citar versículos, lembrei-me de um: “…Pois tive fome, e me destes de comer, tive sede, e me destes de beber; fui estrangeiro, e vós me acolhestes.”, Mateus 25:35
Eu sei que Mateus não falou nada sobre redes sociais — talvez Pedro, pescador que era, pudesse ter falado algo…
Mas esperem! Foi Mateus 4:18-19 quem escreveu: “E, caminhando junto ao mar da Galileia, viu Jesus dois irmãos: Simão, chamado Pedro e André que lançavam a rede ao mar, pois eram pescadores. Então, disse-lhes Jesus: “Vinde após mim, e Eu vos farei pescadores de homens”. — Acho que o Cristo queria divulgar suas ações e buscou logo dois especialistas em redes.
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