Mário Donato, autor de “Presença de Anita”, desafiou o moralismo com um romance ousado que marcou gerações, inspirou uma minissérie icônica e influenciou o nome artístico de Anitta


Foto: Instagram/Reprodução
Mário Donato completaria 110 anos nesta terça-feira (29). Nascido em Campinas (SP), o escritor e jornalista é lembrado por “Presença de Anita”, romance lançado em 1948 que abalou o conservadorismo da época. Décadas depois, a obra virou minissérie de sucesso na TV Globo, em 2001, e influenciou diretamente Larissa Macedo a adotar o nome artístico Anitta, uma das maiores cantoras pop do Brasil.
A personagem-título criada por Donato é uma jovem provocadora, com forte carga erótica, que vive uma relação obsessiva com Eduardo, homem mais velho e frustrado. A história culmina em um pacto de suicídio, cumprido apenas por ela. Anita então assume o papel de fantasma simbólico: uma representação do desejo incontrolável e inatingível que assombra o protagonista.
Criticado por setores conservadores e alvo de pedidos de excomunhão, Donato viu sua obra ser rotulada como “romance maldito”. Mesmo com tentativas de censura, o livro circulou amplamente, ganhou dez edições em três décadas e foi traduzido para o inglês.
Na adaptação televisiva dirigida por Manoel Carlos, Anita foi interpretada por Mel Lisboa. Mais madura e autônoma, a personagem reacendeu debates sobre sexualidade, poder feminino e liberdade. Essa nova Anita também influenciou diretamente Larissa, que ainda criança assistia à minissérie gravada em fita cassete pelo irmão — e mais tarde assumiria o nome artístico Anitta.
Setenta e sete anos após sua publicação, “Presença de Anita” segue presente na cultura brasileira. Para estudiosos, tanto a personagem quanto a cantora compartilham a capacidade de provocar, desafiar normas e afirmar desejos com intensidade e independência — traços que perpetuam a relevância de uma história que atravessou gerações e venceu o moralismo para se eternizar no imaginário nacional.