

A Secretaria de Saúde de Campinas confirmou duas novas mortes por febre maculosa, ambas ocorridas em 2025 e que estavam sob investigação. Com os registros, o município chega a seis casos da doença no ano — todos com evolução para óbito — reforçando o cenário de alta letalidade e preocupação das autoridades sanitárias.
As vítimas mais recentes são uma mulher de 63 anos, moradora da região do Centro de Saúde Santa Bárbara, e um homem de 46 anos, residente na área do CS Nova América. A mulher apresentou sintomas em 3 de outubro e morreu no dia 11 do mesmo mês, após atendimento em hospital público. O provável local de infecção foi o próprio ambiente domiciliar, já classificado anteriormente como área de risco para transmissão.
Já o homem iniciou os sintomas em 29 de outubro e faleceu em 3 de novembro. Neste caso, não foi possível identificar o local provável de infecção.
Os outros quatro óbitos registrados ao longo do ano ocorreram entre junho e julho e envolveram dois homens, de 63 e 68 anos, e duas mulheres, de 47 e 48 anos. Em parte dos casos, a infecção pode ter ocorrido fora de Campinas.
Diante do cenário, a Secretaria de Saúde reforça que o principal fator de risco para agravamento da doença é o atraso no diagnóstico e no início do tratamento. Apesar de ter cura, a febre maculosa exige intervenção médica rápida, logo nos primeiros sintomas.
De acordo com a bióloga Heloísa Malavasi, da Secretaria Municipal de Saúde, pessoas que frequentaram áreas com vegetação — especialmente próximas a rios, lagos e locais com presença de capivaras ou cavalos — devem ficar atentas a sinais como febre, dor de cabeça e dores no corpo.
O período de incubação da doença varia de 2 a 14 dias após a picada do carrapato-estrela, transmissor da bactéria Rickettsia rickettsii. Mesmo que o carrapato não seja identificado no corpo, a recomendação é procurar atendimento médico imediato e informar a possível exposição.
A Prefeitura também intensificou as orientações preventivas, destacando a importância de evitar contato direto com a vegetação, usar roupas claras e que cubram o corpo, além de verificar a presença de carrapatos após frequentar áreas de risco. Caso o parasita seja encontrado, a retirada deve ser feita com cuidado, sem esmagá-lo.
A febre maculosa apresenta maior incidência entre os meses de junho e novembro, período de baixa umidade do ar que favorece a proliferação das formas jovens do carrapato, conhecidas como “micuim” e “vermelhinho”, mais propensas a parasitar humanos.
Além das ações educativas, Campinas mantém estratégias de controle, como o manejo reprodutivo de capivaras em parques públicos — principais hospedeiras do carrapato-estrela. Desde 2024, cerca de 200 animais já foram esterilizados em locais como a Lagoa do Taquaral e o Lago do Café.
A administração municipal também monitora áreas de risco e instala placas de alerta, além de capacitar profissionais de saúde para diagnóstico precoce. Outra medida em vigor é a Lei Municipal 16.418/2023, que obriga organizadores de eventos em áreas com risco de infestação a informarem o público sobre a possibilidade de transmissão da doença.
A orientação das autoridades é clara: ao apresentar sintomas após exposição em áreas verdes, a busca imediata por atendimento pode ser decisiva para salvar vidas.
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