Incêndio na Serra dos Cocais devasta Pedra do Urubu e ameaça biodiversidade

Brigadas voluntárias enfrentaram fogo por dias sem apoio aéreo imediato; perda de famílias de sauás simboliza impacto da tragédia

Incêndio iniciado na Pedra do Urubu consumiu mais de 35 hectares de floresta, incluindo áreas de mata atlântica e cerrado

O incêndio que devastou a Serra dos Cocais na última semana deixou marcas profundas em um dos mais importantes patrimônios ambientais da região. O fogo começou na Pedra do Urubu, ponto turístico conhecido por trilhas, cavernas e pela vista panorâmica que alcança Valinhos, Campinas e Vinhedo, e rapidamente se espalhou, destruindo mais de 35 hectares de floresta nativa.

Segundo o biólogo Fábio Motta, os brigadistas enfrentaram a sensação de impotência diante das chamas. Sem acessos adequados e carregando equipamentos pesados, voluntários das brigadas Serra dos Cocais e Cachorro do Mato, com apoio das Brigada florestal suçuaranas e Brigada florestal Yapi Yapi da Serra do Japi, travaram uma batalha desigual contra o fogo. A ausência de apoio aéreo nos primeiros dias agravou a situação, e apenas após a repercussão na imprensa um helicóptero Águia foi deslocado. Nesse intervalo, as chamas já haviam ultrapassado aceiros e atingido áreas vizinhas.

Os impactos ambientais foram severos. Estima-se que três famílias de sauás, primatas símbolos da serra, não resistiram. Anfíbios que habitavam córregos próximos também deixaram de vocalizar, sinal de que a biodiversidade sofreu perdas significativas. Além disso, a destruição da vegetação ameaça a qualidade da água e o equilíbrio do microclima regional. Conhecida como “caixa d’água” da RMC, a Serra dos Cocais garante a infiltração da chuva e a recarga dos lençóis freáticos. Com a floresta queimada, aumentam os riscos de erosão, seca e desequilíbrios climáticos.

O incêndio, possivelmente criminoso, reforça a necessidade de articulação regional. Como destacou Motta, a serra não reconhece fronteiras políticas: animais e recursos hídricos circulam entre Valinhos, Vinhedo, Itatiba e Louveira. Enquanto brigadistas organizam campanhas para repor equipamentos e mutirões de educação ambiental são planejados, fica o alerta: proteger a Serra dos Cocais é garantir a qualidade de vida de toda a região.

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