Fotógrafa e coordenadora pedagógica veio da ‘cidade da música’ para ficar na cidade que encantou com sua voz


Por Bruno Marques
Soprano é a classificação dada à voz feminina mais aguda e com maior alcance vocal. E Janaina Soares é um exemplo único de soprano cuja voz veio de Tatuí, considerada cidade da música, e alcançou Valinhos, onde, como vocalista da Banda do Brejo por três anos amplificou seu talento com muitos shows em diversas cidades.
Entrevistada pelo Jornal Terceira Visão para a coluna ‘Qual é o músico?’, a cantora de 43 anos – que também é fotógrafa e coordenadora pedagógica, falou um pouco sobre sua extensão musical.
Você é musicista há quanto tempo e como a música chegou a você?
Canto desde menina, muito pequena. A música sempre fez parte da minha vida. Desde criança demonstrei interesse em cantar, e meus pais me incentivaram muito. Cantei, quando pequena, em rodeios, festas de aniversário e encontros de família.
Meus pais sempre gostaram muito de música, e cresci ouvindo diversos estilos. Com 15 anos (1995) comecei a cantar em um bar de Sorocaba chamado Coliseu. Lá tocavam bandas de rock, e foi onde me encontrei. Desde então, meu estilo preferido é o rock.
Qual seu local de nascimento e há quanto tempo está em Valinhos?
Nasci em Tatuí, a cidade da música. Mas vivi em Sorocaba até meus 20 anos. Vim morar em Valinhos em 2000. Em 1998, um guitarrista me procurou dizendo que precisava de uma cantora para cantar em uma banda de baile em Valinhos. Esse guitarrista (Nei Dias) me trouxe para cá, a fim de fazer um teste na Banda do Brejo.
A partir desse momento, fiz parte da banda até 2001, quando a banda então havia encerrado suas atividades. Foi enriquecedor fazer parte da Banda do Brejo, um conjunto com excelentes músicos, com muita experiência e com referências musicais que me ajudaram a crescer muito como cantora, como profissional. Participei de muitas gravações no Estúdio do Sapo, que também foi uma grande escola para mim.
Segui cantando em bandas de rock, de flashback, fazendo violão e voz em bares, até que em 2009 comecei a trabalhar com a Banda Kalango Doido, também deValinhos. Desde essa época até 2022 trabalhei cantando em eventos e cerimônias em casamentos pela região de Campinas. Atualmente, sigo cantando em bares e em eventos da região com outros grupos.
Além disso, sou casada desde 2010 com o Andrés Zúñiga, um músico maravilhoso, multi-instrumentista, com quem tenho o prazer de dividir o palco às vezes. Ele acompanha a cantora Luiza Possi, participa de vários projetos e temos um duo chamado Lady Rock, no qual fazemos alguns clássicos do rock com violão e voz. Andrés toca baixo, guitarra, violão, violino, mandolim e canta.
Quais são as suas principais inspirações e influências para cantar?
Tenho o rock como principal influência e inspiração para cantar. Acredito que minhas maiores influências são bandas como Led Zeppelin, Deep Purple, Aerosmith, Guns N´ Roses, e também cantoras como Elis Regina, Gal Costa, Marisa Monte, Janis Joplin, Etta James, Rita Lee.
Para você, o que está faltando à música hoje em dia?
Falta espaço e valorização para a música. Falta as pessoas terem acesso à música de qualidade. Aliás, à arte em geral. Hoje, quem consegue ir a um show? Quem consegue ir ao cinema, ao teatro? Preços absurdos elitizam a arte, sendo ela um privilégio para poucos.
A música deveria existir nas escolas como algo tão importante quanto Português e Matemática. As crianças deveriam ter contato com instrumentos, com diversos estilos musicais, com boa música desde pequenos.
O que você busca passar em suas apresentações em termos de mensagem e sonoridade?
Quando canto, sempre busco entregar o melhor de mim. Adoro cantar músicas agudas. Sempre busco aprimorar minha afinação e dinâmica vocal para entregar uma música de qualidade, bem feita, independente do estilo que canto. E colocar amor! Esse é o segredo.
Quem canta precisa estar bem naquele momento, pois dessa forma transmite essa entrega de emoção que é sentido por quem está ouvindo. Em termos de sonoridade, considero minha voz potente. Meus agudos são meu forte, porém é importante saber usar nossos pontos fortes de forma consciente, adequada, e saber ser doce quando a música exige, e ser potente, quando assim também exigir.
Depende muito do estilo que se canta. Rock exige “pegada”, potência. Mas nem todos os estilos são assim…e é importante ter esse bom senso. Minha trajetória musical me deu uma boa noção de uso da voz de forma a respeitar cada estilo e suas peculiaridades.