Justiça Federal torna 12 integrantes da Voepass réus por queda de avião em Vinhedo

Denúncia do MPF aponta possíveis falhas de manutenção, problemas no sistema de degelo e decisões operacionais relacionadas ao acidente que matou 62 pessoas em agosto de 2024

A Justiça Federal recebeu a denúncia do Ministério Público Federal (MPF) contra 12 integrantes da Voepass por suspeita de envolvimento no acidente aéreo ocorrido em Vinhedo, em 9 de agosto de 2024. A queda da aeronave, que realizava o voo 2283 entre Cascavel (PR) e Guarulhos (SP), provocou a morte de 62 pessoas.

Os denunciados responderão por crimes relacionados à segurança do transporte aéreo. Entre eles estão o presidente da companhia, José Luiz Felício Filho, outros integrantes da alta administração e dois funcionários que, segundo o MPF, também teriam contribuído para as circunstâncias do acidente.

De acordo com a denúncia, a tragédia estaria relacionada a falhas na manutenção preventiva e a decisões empresariais que teriam colocado a redução de custos à frente da segurança operacional.

Investigações apontaram falhas técnicas

Em agosto de 2026, a Polícia Federal concluiu seu relatório e indiciou 16 pessoas. Quatro delas, porém, firmaram acordos de não persecução penal com o Ministério Público e não foram incluídas na denúncia.

As apurações indicaram que o avião ATR 72-500 enfrentou condições meteorológicas com formação severa de gelo, enquanto equipamentos essenciais para esse cenário, como o sistema de degelo e o limpador do para-brisa, estavam inoperantes. Mesmo diante das condições apontadas, a aeronave foi autorizada a realizar o trajeto.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) também identificou problemas relacionados aos sistemas da aeronave, alertas desconsiderados, falhas em revisões mecânicas e dificuldades na comunicação de ocorrências anteriores.

Em manifestação, a Voepass afirmou que continuará colaborando com a Justiça e as autoridades. A defesa de José Luiz Felício Filho informou que ele se manifestará no processo e destacou que o executivo estava afastado da gestão cotidiana da operação na época do acidente.

O recebimento da denúncia dá início à ação penal, na qual as responsabilidades dos acusados serão examinadas pela Justiça.

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