De Vinhedo para Barretos: Lucas Damasio vive o sonho de disputar a maior arena do rodeio

Aos 27 anos, peão de Jardim São Matheus chega pela primeira vez à Final da Liga Nacional de Rodeio após três anos e meio de carreira profissional e duas vagas conquistadas na temporada

Para muitos, são apenas oito segundos. Para Lucas Alves Damasio, cada segundo dentro da arena representa anos de treino, quedas, viagens, sacrifícios e, acima de tudo, a realização de um sonho. Morador do Jardim São Matheus, em Vinhedo, o peão de 27 anos vive nesta semana um dos momentos mais importantes de sua trajetória: a estreia competitiva em Barretos, palco que reúne alguns dos principais nomes do rodeio brasileiro.

Profissional há três anos e meio, Lucas começou a montar touros aos 14 anos. A entrada no mundo dos rodeios aconteceu após participar de um caça-talentos, competição que venceu e que abriu as portas para sua carreira. Pouco depois, conquistou seu primeiro rodeio em Ribeirão Branco.

Desde então, já foram mais de 70 rodeios disputados profissionalmente. Em 2025, veio uma das maiores conquistas até então: o título da temporada, que lhe rendeu uma caminhonete e ajudou a colocar seu nome entre os competidores que buscariam um lugar em Barretos.

Na temporada atual, Lucas conquistou duas vagas para a Final da Liga Nacional de Rodeio (LNR), feito que ganhou ainda mais peso por ter conseguido montar em duas finais de um mesmo rodeio após conquistar o título.

Agora, em Barretos, o desafio é ainda maior. São mais de 100 montarias em busca de uma vaga na semifinal, enquanto apenas cinco peões avançam para a grande final. Para Lucas, além da técnica, o sorteio do touro será determinante.

Mas a estreia carrega um significado que vai muito além da competição. “Só de chegar em Barretos já estou realizado”, afirma. Estar ao lado de peões que admirava antes mesmo de começar a montar tornou o momento ainda mais especial.

A trajetória até aqui também é marcada pela fé. Lucas conta que, antes de conseguir sua primeira oportunidade, pediu a Deus um sinal sobre seguir ou não no rodeio. No dia seguinte, recebeu uma ligação com o convite para disputar uma competição. Para ele, foi a resposta que precisava.

Por trás dos oito segundos, existe uma rotina que poucos enxergam: treinos exaustivos, dores, lesões, longas viagens, gastos e a pressão de enfrentar o risco a cada montaria. Ainda assim, é dentro da arena que Lucas procura deixar a emoção de lado e confiar na técnica, mantendo o foco e o ritual que o trouxeram até Barretos.

Nessa caminhada, os pais ocupam um lugar especial. Segundo Lucas, são eles sua força e motivação para continuar. Cada montaria também carrega o desejo de deixá-los orgulhosos.

O menino que um dia sonhou em ser peão hoje coleciona 13 fivelas de campeão e chega a Barretos cercado pela sensação de missão cumprida. Mas a história não termina aqui. Se depender de Lucas e de sua fé, o próximo sonho será ainda maior: conquistar o visto e buscar oportunidades para montar nos Estados Unidos.

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