

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, anunciou nesta segunda-feira (15) um pacote de medidas que prevê a proibição do acesso de menores de 16 anos às redes sociais e novas restrições a plataformas de jogos online e transmissões ao vivo.
Segundo o governo britânico, a iniciativa tem como objetivo ampliar a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital e combater riscos relacionados à saúde mental, exposição a conteúdos inadequados e contato com desconhecidos pela internet.
“Para mim, está claro que a proibição total é a escolha certa. Isso fará uma enorme diferença, deixará nossas crianças mais seguras, mais felizes, lhes dará mais tempo, mais segurança, mais liberdade para crescer e mais oportunidades”, afirmou Starmer durante entrevista coletiva.
Medida seguirá modelo adotado pela Austrália
O Reino Unido pretende seguir um modelo semelhante ao implementado pela Austrália, que em dezembro de 2025 se tornou o primeiro país do mundo a proibir oficialmente o uso de redes sociais por menores de 16 anos.
A nova regra britânica deverá abranger plataformas como TikTok, Instagram, Facebook, X (antigo Twitter), Snapchat e YouTube.
Aplicativos de mensagens privadas, como WhatsApp e Signal, não serão incluídos na proibição.
Além disso, o governo pretende criar mecanismos para impedir que menores de 16 anos participem de transmissões ao vivo e se comuniquem com desconhecidos em plataformas digitais e jogos online.
“Existe alguma situação no mundo real em que você deixaria seu filho se conectar com um estranho, um adulto que você não conhece? Não, e é por isso que estamos tomando medidas nesse sentido”, declarou o premiê.
Quando as novas regras entram em vigor
De acordo com o governo britânico, os primeiros passos para a implementação das medidas poderão ser adotados nos próximos meses.
A regulamentação completa deverá ser concluída até o final deste ano, enquanto a entrada em vigor da proibição está prevista para a primavera de 2027 no Reino Unido.
Nos últimos anos, o país já vinha endurecendo a fiscalização sobre as empresas de tecnologia, exigindo mecanismos de verificação de idade, adaptações em algoritmos e medidas para impedir o compartilhamento de imagens íntimas por menores.
Debate sobre saúde mental e uso excessivo da internet
A decisão ocorre em meio ao aumento das preocupações globais sobre os impactos das redes sociais na saúde mental de crianças e adolescentes.
Segundo o governo britânico, a proposta foi elaborada após consultas públicas com pais, professores, especialistas e jovens.
Mais de 116 mil pessoas participaram da consulta. Entre os responsáveis que responderam, 83% afirmaram acreditar que os riscos das redes sociais superam os benefícios para menores de idade. Já 90% apoiaram a criação de uma idade mínima de 16 anos para acesso às plataformas.
Apesar do amplo apoio popular, parte da comunidade acadêmica e de especialistas em psicologia argumenta que ainda não existem evidências conclusivas de que uma proibição total seja a solução mais eficaz para reduzir os problemas associados ao uso excessivo da internet.
O debate sobre a regulamentação das redes sociais para crianças e adolescentes também avança em diversos outros países, que estudam medidas semelhantes diante das preocupações crescentes com segurança digital e bem-estar dos jovens.
Quer saber as últimas notícias de Valinhos, siga o nosso Instagram: https://www.instagram.com/terceiravisaovalinhos/