Aos 33 anos, ator, diretor, produtor e arte-educador relembra o início aos 14, os espetáculos que marcaram sua carreira e defende maior valorização dos profissionais da cultura
Foi aos 14 anos, ainda estudante em Vinhedo, que Victor Tosi Hunger descobriu no teatro um caminho que, anos depois, se tornaria parte essencial de sua vida. O primeiro contato aconteceu em 2007, quando amigos participavam do grupo de teatro da escola Integração. Como perdeu o período de inscrições, buscou as aulas do Centro Cultural e, junto de uma amiga, decidiu montar uma peça para participar do FESTEVI (Festival de Teatro de Vinhedo).


Sem experiência e sem saber exatamente o que os esperava, os dois escreveram o espetáculo, convidaram a mãe da amiga para dirigir e chegaram a percorrer lojas da cidade em busca de patrocínio. A estreia veio acompanhada de uma sensação que Victor nunca esqueceu.
“Lembro da sensação de entrar no palco e simplesmente me divertir”, conta. Depois da apresentação, foi comemorar com a família em uma pizzaria. Ao chegar em casa, chorou de emoção por querer viver novamente aquela experiência.
Aos poucos, o teatro ganhou novos significados. Victor chegou a cursar Artes Visuais e ficou três anos afastado dos palcos, até retornar em 2015, com Clarão nas Estrelas, dirigido por Cau Silva. “Naquele momento eu sabia que o teatro era um lugar do qual eu nunca deveria ter saído”, relembra.
Desde então, construiu uma trajetória como ator, diretor, produtor e professor. Entre os trabalhos que considera marcantes estão Meu Pé de Laranja Lima, seu primeiro projeto como diretor e educador, e Eu, Tu e o Mar, espetáculo no qual esteve envolvido da dramaturgia à atuação e direção.
A carreira também coleciona reconhecimentos no FESTEVI, incluindo prêmios de Melhor Direção em 2017, 2021 e 2025. Atualmente, Victor atua como arte-educador pela Secretaria de Cultura e Turismo de Vinhedo e integra o coletivo NEx. Arte, além de desenvolver o Núcleo IndiGesto.
Para ele, o teatro ultrapassa a profissão. É uma forma de enxergar e viver o mundo. “Se eu deixasse de ser artista, honestamente não sei o que seria”, afirma.
Neste Dia Nacional do Teatro, celebrado em 19 de setembro, Victor deixa um convite para quem ainda não se permitiu viver essa experiência: “Dê uma chance para o teatro. Esqueça a timidez, a vergonha ou o que os outros vão pensar.” Afinal, como resume ao lembrar da primeira vez nos bastidores: “Eu entrei… e nunca mais saí”.