Crise no Irã faz agência global avaliar liberar mais petróleo enquanto preços despencam com fala de Trump

A Agência Internacional de Energia (IEA) voltou a sinalizar a possibilidade de liberar mais petróleo de seus estoques estratégicos diante da escalada da crise envolvendo o Irã. A medida, segundo o diretor-executivo Fatih Birol, poderá ser adotada caso o cenário geopolítico se agrave e pressione ainda mais o mercado global.

“Se for necessário, faremos isso. Vamos observar as condições, analisar os mercados e discutir com nossos países membros”, afirmou Birol nesta segunda-feira (23), durante evento em Canberra, na Austrália.

A sinalização ocorre poucos meses após uma decisão histórica da entidade. Em março, os países membros da IEA aprovaram a liberação de cerca de 400 milhões de barris de petróleo das reservas estratégicas — a maior retirada já realizada pela agência. A ação teve como objetivo conter a alta dos preços e reduzir os impactos das tensões internacionais.

Apesar disso, a avaliação é de que os riscos persistem. A liberação ajudou a aliviar parte da pressão, mas não resolveu o problema estrutural da oferta global, especialmente diante das incertezas no Oriente Médio.

Birol destacou que não há um preço específico que determine uma nova intervenção. A decisão depende de uma análise ampla do mercado, incluindo oferta, demanda e estabilidade geopolítica, além de alinhamento entre os países membros.

Nos bastidores, a IEA intensificou o diálogo com autoridades internacionais para coordenar possíveis respostas à crise e monitorar cadeias logísticas e o comportamento da demanda por energia. A agência também chegou a sugerir medidas para reduzir o consumo, como incentivo ao trabalho remoto e diminuição de viagens aéreas.

Um dos principais pontos de atenção é o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa grande parte do petróleo mundial. Qualquer instabilidade na região pode comprometer o abastecimento global e provocar novas altas nos preços.

“A solução mais importante para esse problema é a abertura do Estreito de Ormuz”, afirmou Birol, ao classificar o cenário atual como mais grave do que crises anteriores e alertar para impactos prolongados na inflação e na economia global.

No entanto, o mercado reagiu de forma imediata a um novo elemento político. Os preços do petróleo passaram a cair com força após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar uma trégua de cinco dias com o Irã.

Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que houve “conversas muito boas e produtivas” entre representantes dos dois países e que determinou o adiamento de qualquer ataque à infraestrutura energética iraniana.

A versão, porém, foi contestada pela agência iraniana Fars, ligada à Guarda Revolucionária, que negou a existência de բանակցiações em andamento com os Estados Unidos.

Com a sinalização de trégua, o mercado inverteu o movimento de alta. Por volta das 14h (horário de Brasília), o barril do petróleo Brent, referência global, registrava queda de 9,23%, sendo negociado a US$ 101,84. Já o WTI, referência nos Estados Unidos, recuava 8,41%, a US$ 89,97.

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