

O surto de Ebola registrado na República Democrática do Congo pode se transformar no mais grave da história da doença caso não haja reforço imediato no financiamento e nas ações de combate. O alerta foi feito nesta terça-feira (16) pelo diretor-geral do Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (África CDC), Jean Kaseya, durante reunião virtual com líderes africanos e representantes de países doadores.
Segundo as autoridades de saúde, mais de 800 casos da cepa Bundibugyo do Ebola já foram confirmados no país africano, incluindo 192 mortes. A variante preocupa especialistas por não possuir tratamento ou vacina comprovadamente eficaz.
A doença está se espalhando rapidamente por três províncias da República Democrática do Congo. Transmitido pelo contato com fluidos corporais de pessoas infectadas, o vírus também pode ser transmitido após a morte, tornando os procedimentos de sepultamento um dos pontos críticos para o controle da epidemia.
Jean Kaseya afirmou que, sem uma resposta rápida, o cenário poderá superar grandes surtos anteriores, incluindo a epidemia que atingiu Guiné, Libéria e Serra Leoa entre 2014 e 2016, responsável por mais de 11 mil mortes.
O plano emergencial elaborado por autoridades africanas prevê a necessidade de US$ 518 milhões nos próximos seis meses para conter a disseminação da doença. No entanto, até o momento, menos de US$ 100 milhões foram arrecadados.
Segundo Kaseya, o atraso na liberação dos recursos pode elevar drasticamente os custos da resposta internacional. De acordo com ele, caso o financiamento necessário não seja obtido nas próximas semanas, a necessidade poderá subir para cerca de US$ 1,5 bilhão. Em um cenário mais prolongado, os custos podem alcançar US$ 7,5 bilhões.
Outro sinal de preocupação veio da Federação Internacional das Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho. O gerente de operações da entidade no leste do Congo, Bruno Michon, afirmou que a epidemia ainda não atingiu seu pico e que o combate à doença pode durar até um ano.
Entre os principais desafios enfrentados pelas equipes de saúde estão a baixa capacidade de monitoramento da população, a escassez de equipes responsáveis pelos sepultamentos seguros e a falta de equipamentos de proteção individual.
Atualmente, segundo a Cruz Vermelha, apenas cerca de 12% da população está sendo monitorada pelas autoridades sanitárias, o que dificulta a avaliação da real dimensão do surto.
Organizações humanitárias também destacam que a mobilização internacional tem sido menor do que em crises anteriores envolvendo o Ebola. Durante o encontro, representantes dos Estados Unidos pediram maior participação financeira de outros países e ressaltaram que Washington continua sendo um dos principais financiadores da resposta à emergência.
África do Sul, China, Alemanha e França também anunciaram novas contribuições para apoiar as ações de contenção da doença no continente africano.
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