Uma FLIV para Valinhos

Olá, legentes!

Como alguns sabem, neste ano eu tive o imenso prazer de participar da 24ª Flip, Festa Literária Internacional de Paraty, por ocasião do lançamento de meu romance de estreia: O Ventríloquo de Ybyrá, pela Editora Urutau.

A Flip deste ano prestou homenagem à escritora Orides Fontela, nascida em São João da Boa Vista, interior de São Paulo, filha de Álvaro Fontela, marceneiro, e de Laurinda Teixeira Fontela, dona de casa. Formada em Filosofia pela Universidade de São Paulo (USP), a escritora faleceu em novembro de 1998, em Campos do Jordão (SP), aos 67 anos de idade.

Orides Fontela é considerada uma das maiores poetas — não uso a palavra “poetisa”, dada sua conotação histórica de inferioridade, que atribui à escrita feminina — de nosso país, mas talvez você nunca tenha ouvido falar dela até agora.

Mas calma… Não se culpe por isso. Eu também não tinha ouvido falar dela até que a Flip a escolheu como homenageada.

Embora ela tenha sido reconhecida desde o início de sua carreira literária por críticos e professores como Antônio Candido e Marilena Chaui, e mesmo diante de sua intensa e rica obra literária, Transposição (1969), Helianto (1973), Alba (1983), Rosácea (1986) e Teia (1996), Orides morreu pobre e quase foi esquecida.

Como sou escritor e, até por ter participado da Flip neste ano, não pude deixar de refletir sobre o quanto é difícil conquistar um cantinho ao sol da literatura.

Na maioria das vezes, os escritores habitam as sombras do universo da literatura. Não porque necessariamente desejam a escuridão, mas porque, como em qualquer “mercado” — palavra ruim para se referir a qualquer tipo de arte —, é preciso um tanto de sorte, além de talento, é óbvio.

Só o talento não dá conta de tornar um escritor, um artesão das palavras, alguém de destaque na área. E, nesse sentido, participar do cenário literário é fundamental para quem deseja ser percebido e, talvez, reconhecido no ofício da escrita.

Cada vez mais pessoas têm se arriscado a escrever e publicar suas obras, principalmente de maneira independente. Felizmente, hoje, existe um mar de pequenas editoras dispostas a proporcionar a publicação de novos autores e autoras.

As festas, feiras, festivais ou encontros literários tornam-se, portanto, espaços de aproximação entre escritores e leitores de toda ordem. Quanto mais espaços houver para a divulgação da literatura, mais haverá oportunidade para quem se dedica à produção literária encontrar seu público, sem o qual toda arte perde seu valor.

É triste saber que foram necessárias mais de duas décadas após a morte de Orides Fontela para que a Flip se lembrasse dela e nós a descobríssemos.

Tenho visto e participado da partilha da palavra aqui em nossa cidade, ora por este semanário, ora em encontros e eventos promovidos, em especial pela AVLA – Academia Valinhense de Letras e Arte, como foi, por exemplo, o Sarau Palavra Viva, ocorrido no último dia 27 de julho, no Centro Cultural Vicente Musselli, em celebração ao Dia do Escritor Valinhense, instituído pela Lei Municipal nº 6.830/2025, projeto do vereador Vagner Alves.

Valinhos pode muito mais do que tem feito pela literatura. Penso que devemos e podemos ter nossa própria feira literária em nossa cidade: uma FLIV, Feira Literária de Valinhos.

Basta querer, e querer é poder.

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