EUA podem registrar três execuções no mesmo dia pela primeira vez em quase 16 anos

Os Estados Unidos vivem nesta quinta-feira (13) uma situação considerada rara: três condenados por assassinato podem ser executados no mesmo dia, em diferentes estados. Caso as sentenças sejam cumpridas, será a primeira vez em quase 16 anos que três pessoas são executadas em um único dia no país.

As execuções estão previstas para ocorrer no Tennessee, no Alabama e em Oklahoma. Os casos envolvem Anthony Darrell Hines, de 66 anos, Jeremy Williams, de 42, e Carlos Cuesta-Rodriguez, de 70. Os três foram condenados por homicídios em processos separados e aguardavam há anos pelo cumprimento das sentenças.

A pena de morte voltou a ganhar espaço nos Estados Unidos nos últimos anos. Em 2025, 47 presos foram executados em 11 estados, o maior número registrado desde 2009. Em 2026, 19 execuções já ocorreram, concentradas principalmente em estados que continuam aplicando a pena capital com frequência.

A Flórida lidera esse movimento. O estado foi responsável por 19 execuções em 2025 e responde por grande parte das execuções realizadas em 2026 até o momento. Especialistas relacionam o aumento à política do governador republicano Ron DeSantis, que promoveu mudanças na legislação para facilitar a aplicação da pena capital.

O cenário também ocorre durante o retorno de Donald Trump à Casa Branca. Defensor histórico da pena de morte, o presidente assinou uma ordem executiva restabelecendo a política federal de execuções. O governo também ampliou protocolos relacionados aos métodos de execução e passou a incentivar estados a buscarem a pena máxima em determinados crimes.

Apoio à pena de morte diminui

Apesar do endurecimento das políticas relacionadas à pena capital, pesquisas apontam que o apoio da população americana à pena de morte vem diminuindo.

Segundo levantamento do instituto Gallup, 52% dos americanos consideram a prática moralmente aceitável. Esse é o menor índice registrado pela pesquisa desde a década de 1970.

Além disso, os tribunais americanos têm aplicado menos sentenças de morte do que no passado.

As falhas registradas durante execuções recentes também mantêm o tema em debate. Problemas relacionados à aplicação de injeções letais, escassez dos medicamentos utilizados e questionamentos sobre métodos alternativos, como pelotão de fuzilamento e gás nitrogênio, aumentaram as críticas ao sistema.

Caso no Tennessee

No Tennessee, a execução de Anthony Hines chama atenção porque ocorre cerca de três meses depois de uma tentativa frustrada de execução no mesmo estado.

Na ocasião, a equipe responsável não conseguiu estabelecer adequadamente o acesso intravenoso necessário para a aplicação da injeção letal.

Hines recorreu à Justiça e argumentou que suas condições de saúde, incluindo sequelas provocadas por dois derrames, aumentariam o risco de complicações durante a execução. Os recursos apresentados pelo condenado, porém, foram rejeitados.

Condenados no Alabama e em Oklahoma

No Alabama, Jeremy Williams pediu que sua própria sentença fosse executada. Ele foi condenado pelo estupro e assassinato de uma menina de 5 anos, em 2021.

Em Oklahoma, Carlos Cuesta-Rodriguez foi condenado pelo assassinato da companheira, cometido em 2003. Ele também afirmou que não deseja receber clemência.

Os advogados de Cuesta-Rodriguez alegaram que o condenado sofre de transtornos mentais e danos cerebrais. O próprio preso, entretanto, rejeitou os pedidos apresentados para tentar reduzir sua pena.

Decisões de última hora ainda podem impedir execuções

Apesar de as três execuções estarem programadas para esta quinta-feira (13), decisões judiciais de última hora ou intervenções dos governadores ainda podem alterar o cronograma.

O possível cumprimento das três sentenças no mesmo dia reacende o debate sobre a pena de morte nos Estados Unidos. O país registra aumento no número de execuções, enquanto pesquisas indicam uma redução no apoio popular à prática e persistem questionamentos sobre os métodos utilizados e a aplicação das sentenças.

Quer saber as últimas notícias de Valinhos, siga o nosso Instagram: https://www.instagram.com/terceiravisaovalinhos/

Leia anterior

Senado aprova projeto que reduz tributos sobre combustíveis; texto segue para sanção presidencial

Leia a seguir

Valinhos recebe certificação internacional “Cidade Árvore do Mundo” por ações de arborização urbana