Vários sites de notícias que estavam bloqueados há anos na Venezuela voltaram a ficar acessíveis nesta quinta-feira (17). O desbloqueio foi anunciado pela Comissão Nacional de Telecomunicações (Conatel) poucas horas antes do início de uma nova rodada de negociações políticas entre o governo interino e a oposição.
Em comunicado, a Conatel informou o “restabelecimento formal do acesso a diversas plataformas e veículos de comunicação digitais nacionais e internacionais”. Entre os portais que voltaram a funcionar estão El Nacional, Efecto Cocuyo, El Pitazo, Runrunes e TalCual. O NTN24 também voltou a ficar acessível, embora tenha apresentado instabilidade.
Jornalistas e organizações de direitos digitais denunciam há anos os bloqueios como uma forma de censura. Antes da liberação, usuários venezuelanos precisavam recorrer a ferramentas como VPNs para acessar alguns dos veículos.
A ONG de direitos digitais VE Sin Filtro verificou o acesso a 17 portais em diferentes provedores de internet. Apesar do desbloqueio anunciado, a organização afirma que ainda existem 188 sites bloqueados no país, sendo 79 veículos de comunicação.
O diretor do TalCual, Víctor Amaya, afirmou que o bloqueio provocou uma queda de cerca de 60% no tráfego do portal e também afastou anunciantes, que temiam possíveis punições das autoridades. O site estava bloqueado desde julho de 2024 e, segundo Amaya, a liberação ainda ocorria de forma parcial em algumas empresas de telecomunicações.
O diretor editorial do Runrunes, Luis Ernesto Blanco, declarou que a medida representa o reconhecimento de que os portais estavam submetidos a restrições de acesso, apesar de, segundo ele, não haver uma resolução administrativa ou ordem judicial pública determinando os bloqueios.
Negociações políticas
O desbloqueio ocorreu no mesmo dia em que teve início uma nova rodada de negociações políticas entre representantes do governo interino e da oposição venezuelana. A liberdade de expressão está entre os assuntos discutidos.
A líder da delegação opositora, Dinorah Figuera, classificou a liberação como um primeiro passo, mas afirmou que outros veículos continuam sem acesso no país.
A mesa de diálogo conta com apoio dos Estados Unidos. Em junho, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, havia afirmado que a recuperação da Venezuela dependia, entre outros pontos, da criação de condições para uma imprensa livre e independente.
O vice-ministro de Gestão da Comunicação, Gustavo Villapol, também defendeu uma mudança na relação do governo com a imprensa e afirmou que a polarização deveria ser deixada para trás.
Apesar do desbloqueio de parte dos sites, organizações de direitos digitais continuam apontando a existência de centenas de páginas inacessíveis no país. A medida, portanto, ainda é acompanhada com cautela por veículos de comunicação e entidades que monitoram a liberdade na internet venezuelana.
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