Uma escolha de poucos segundos que pode atravessar gerações


Domingo, diante da urna, estaremos sozinhos.
Não haverá filhos, amigos, vizinhos, nem aquela conversa animada da mesa do café. Estaremos apenas nós e a nossa consciência. E talvez seja justamente esse o instante em que deveríamos fazer a pergunta mais simples — e mais difícil: que país estou ajudando a deixar para quem vem depois de mim?
Há um pensamento atribuído a São Tomás de Aquino segundo o qual aquele que consegue conviver com a injustiça sem se indignar acaba, de algum modo, consentindo com ela. Não se trata da raiva que agride, insulta ou deseja vingança. Trata-se daquela inquietação moral que ainda nos faz distinguir o certo do errado.
E talvez esteja aí uma boa medida para o nosso voto.
Não devemos entrar na cabine eleitoral carregando ódio. Mas também não devemos entrar nela carregando indiferença.
Antes de escolher aqueles que irão nos representar, vale perguntar: essa pessoa respeita a verdade? Tem uma vida pública compatível com aquilo que promete? Compreende que o dinheiro público não tem dono porque pertence a todos? Respeita quem pensa diferente? Tem compromisso com a justiça, com a dignidade humana e com aqueles que mais necessitam do Estado?
Nenhum governante é perfeito. Nós também não somos. Mas existe uma diferença enorme entre a imperfeição humana e a desonestidade transformada em método; entre o erro e a mentira deliberada; entre exercer o poder e servir-se dele.
O voto dura poucos segundos. Suas consequências podem durar anos.
E não recaem apenas sobre nós.
Recaem sobre nossos filhos, sobre nossos netos e até sobre aqueles que ainda nem nasceram, mas receberão o país que nossas escolhas ajudaram a construir.
Por isso, no domingo, quando eu estiver diante da urna, quero me lembrar de uma coisa: meu voto é secreto, mas minha responsabilidade não é.
Ninguém verá o número que digitei.
Mas, depois, nós, nossos filhos, nossos netos e aqueles que ainda nem nasceram, viveremos as consequências das escolhas que fizermos no domingo.
Talvez votar seja exatamente isso: pensar no futuro quando ninguém está olhando.
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