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O convite à comoção da Rosa de Hiroshima

Há pouco mais de 50 anos, a partir de poema homônimo de Vinicius de Moraes, o Secos & Molhados lamentava a guerra em plena ditadura

Por Bruno Marques

Por conta dos últimos dias em que tem se normalizado jogar bombas uns nos outros, tanto em Campinas ou no Oriente Médio, a música escolhida para a seção desta semana é Rosa de Hiroshima.

A faixa, lançada pelo grupo Secos & Molhados há mais de 50 anos, continua atual. Ela tem origem no poema de mesmo nome de Vinicius de Moraes, musicado por Gerson Conrad.

A obra se refere a uma das maiores atrocidades já cometidas na história, os bombardeamentos dos EUA nas cidades japonesas de Hiroshima e Nagasaki durante a Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Além de todo o estrago causado pelo lançamento da bomba nuclear, e dos abalos emocionais e psicológicos, os sobreviventes da bomba sofreram várias queimaduras graves e doenças por terem sido expostos à radiação.

Repercussão

Rosa de Hiroshima está no álbum de estreia do Secos & Molhados, lançado em 1973. A canção é um grito pacifista e antinuclear, lançada em plena ditadura militar no Brasil. Foi apresentada ao vivo no espetáculo do grupo no Maracanãzinho em meados de 1974.

Em 2009, a revista Rolling Stone brasileira listou Rosa de Hiroshima como a número 69 entre As 100 Maiores Músicas Brasileiras.

Outras versões

Ney Matogrosso regravou e apresentou ao vivo esta canção em carreira solo, assim como Arnaldo Antunes para Assim Assado, tributo ao Secos & Molhados. A antológica faixa também foi regravada pelas bandas Salário Mínimo, e Raices de America.

Letra

“Pensem nas crianças mudas, telepáticas
Pensem nas meninas cegas, inexatas
Pensem nas mulheres, rotas alteradas
Pensem nas feridas como rosas cálidas

Mas, oh, não se esqueçam da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima, a rosa hereditária
A rosa radioativa, estúpida e inválida
A rosa com cirrose, a anti-rosa atômica
Sem cor, sem perfume, sem rosa, sem nada”

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