Novas regras para a alimentação escolar publicadas pelo Ministério da Educação do Reino Unido colocaram um alimento comum no cardápio das crianças no centro do debate: as frituras. A proposta prevê a retirada desses produtos das refeições oferecidas nas escolas, em uma tentativa de reduzir o consumo de alimentos associados a riscos à saúde.
Para o médico e pesquisador Stefan Kabisch, especialista em nutrição da Charité de Berlim e do Centro Alemão de Pesquisa em Diabetes, a iniciativa é justificável. Segundo ele, parte dos problemas está relacionada às gorduras utilizadas no processo de fritura e às altas temperaturas empregadas no preparo.
Alimentos como batatas fritas, carnes empanadas e donuts podem ser preparados em óleos vegetais, mas o processo em altas temperaturas pode exigir gorduras refinadas capazes de suportar o aquecimento. O consumo frequente de alimentos ricos em gorduras saturadas está associado a alterações metabólicas e a um maior risco de doenças cardiovasculares.
Outro ponto de atenção é o sal, presente em muitos alimentos fritos e preparações industrializadas. O consumo excessivo de sódio pode contribuir para o aumento da pressão arterial e elevar o risco de problemas cardiovasculares.
A forma de preparo também pode levar à formação de acrilamida, principalmente em alimentos ricos em amido, como batatas. A substância é formada quando determinados alimentos são submetidos a temperaturas elevadas e é considerada potencialmente cancerígena. Batatas fritas, chips e outros alimentos muito dourados estão entre os produtos que podem apresentar maiores concentrações.
Em junho, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulgou recomendações relacionadas à redução da exposição à acrilamida. Entre as orientações está a preferência por batatas cozidas e o cuidado para evitar temperaturas excessivamente altas durante o preparo.
Pesquisas também encontraram uma associação estatística entre o consumo de alimentos fritos e a ocorrência de depressão. O pesquisador, porém, ressalta que esse tipo de associação não comprova que a fritura seja responsável pelo desenvolvimento da doença. Pessoas com depressão, por exemplo, podem ter maior tendência a consumir refeições rápidas e alimentos fritos.
A alimentação também pode influenciar o microbioma intestinal, que possui relação com processos que envolvem o cérebro e a saúde mental. Ainda assim, são necessárias mais evidências para estabelecer uma relação direta entre o consumo de frituras e depressão.
No Brasil, a alimentação oferecida nas escolas públicas segue as regras do Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). Os cardápios devem considerar hábitos alimentares locais e estabelecer limites para alimentos processados e ultraprocessados. A partir de 2026, no máximo 10% dos alimentos adquiridos para a alimentação escolar podem ser processados ou ultraprocessados, conforme as novas regras do programa.
A recomendação de especialistas é que alimentos fritos façam parte da alimentação com moderação, dando preferência a preparações variadas e alimentos in natura ou minimamente processados. O impacto sobre a saúde depende também da frequência e da quantidade consumida.
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