STF julga nesta terça-feira ação contra Eduardo Bolsonaro que pode resultar em condenação e inelegibilidade

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia nesta terça-feira (16) o julgamento que decidirá se o deputado cassado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) será condenado ou absolvido pelo crime de coação no curso do processo. Caso seja condenado, ele poderá enfrentar novas consequências jurídicas, incluindo a possibilidade de inelegibilidade.

Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado

A denúncia foi apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que acusa Eduardo Bolsonaro de atuar nos Estados Unidos para pressionar autoridades brasileiras e criar um ambiente de intimidação contra ministros do STF. Segundo a acusação, o objetivo seria favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro e tentar impedir sua responsabilização no processo relacionado à suposta tentativa de golpe de Estado.

O crime de coação no curso do processo é caracterizado pelo uso de violência ou grave ameaça para influenciar autoridades envolvidas em investigações ou julgamentos. A pena prevista varia de um a quatro anos de prisão.

O caso é relatado pelo ministro Alexandre de Moraes e será analisado pela Primeira Turma do STF, composta também pelos ministros Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino, presidente do colegiado. São necessários ao menos três votos para a condenação ou absolvição.

De acordo com a PGR, há um conjunto robusto de provas que sustentaria a acusação. Entre os elementos apresentados estão declarações públicas de Eduardo Bolsonaro, entrevistas, publicações em redes sociais e mensagens trocadas com Jair Bolsonaro. A Procuradoria afirma que o ex-deputado articulou ações junto a autoridades norte-americanas para pressionar ministros do Supremo e criar obstáculos ao andamento de processos judiciais no Brasil.

A acusação cita ainda episódios como o anúncio de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarações públicas de Eduardo relacionadas às sanções contra ministros do STF, além de mensagens que indicariam coordenação estratégica com o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Segundo a PGR, as ameaças atribuídas ao ex-deputado não foram genéricas, mas direcionadas às autoridades responsáveis pelo julgamento de processos envolvendo seu pai. Para o Ministério Público, a atuação de Eduardo Bolsonaro buscava condicionar o encerramento de pressões internacionais à concessão de anistia ou à interrupção das investigações.

A defesa é conduzida pela Defensoria Pública da União (DPU), uma vez que Eduardo Bolsonaro não constituiu advogado no processo. A DPU pede a anulação da ação sob o argumento de que houve irregularidades processuais, incluindo a participação de Alexandre de Moraes no julgamento, por ser apontado como uma das vítimas das supostas ameaças.

A Defensoria também questiona a forma como o ex-deputado foi notificado, alegando que ele estava em endereço conhecido nos Estados Unidos e deveria ter sido citado por carta rogatória, e não por edital. Segundo a defesa, isso comprometeria a validade do processo.

No mérito, a DPU sustenta que não há provas suficientes para condenação e argumenta que as manifestações atribuídas a Eduardo Bolsonaro estão protegidas pela liberdade de expressão e pela imunidade parlamentar. A defesa afirma ainda que o ex-deputado não possui poder para determinar decisões do governo norte-americano e que não houve intenção criminosa de coagir autoridades judiciais.

O julgamento será acompanhado de perto por representantes dos Poderes da República e pode ter repercussões políticas e jurídicas relevantes, especialmente diante da proximidade das eleições e dos desdobramentos dos processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro.

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