Jovens que abandonam o ensino médio acabam ocupando o setor informal

Jovens que abandonam o ensino médio acabam ocupando o setor informal

3 de junho de 2017 0 comentários

Quando adultos, dificilmente voltam a estudar e permanecem incapacitados e, consequentemente, desempregados

Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), 16.029 pessoas residentes em Valinhos completaram o ensino fundamental, mas não fizeram o ensino médio. O número dobra no caso dos que sequer possuem completo o ensino fundamental, totalizando 35.287. Existe também a parcela de munícipes que jamais frequentou creche ou escola. Neste grupo, o número de pessoas entre 30 e 39 anos é de 251. Entre os valinhenses de 40 a 49 anos esse número chega a 356 pessoas.

 

Não é surpresa que fatias mais velhas da comunidade sejam as menos instruídas. Isso não é fenômeno exclusivo da cidade e se deve a alguns fatores, entre eles a tendência, há algumas décadas, de dar início ao trabalho mais cedo do que hoje em dia. Os filhos, que precisavam ajudar financeiramente a manter a casa, começavam a trabalhar ainda crianças e abandonavam os estudos.

 

Quem são os jovens fora da escola

 

Em 2015, Valinhos possuía 63 escolas de ensino fundamental, entre instituições privadas, escolas públicas municipais e estaduais.

No mesmo ano, o município possuía apenas 16 escolas de ensino médio. 9 dessas representam instituições privadas de ensino, inviável para a maior parte da população. O restante, 7 escolas públicas estaduais, é o que deve suprir a demanda do município.

 

Em outras palavras: alunos de 63 escolas de ensino fundamental devem ser encaminhados e comportados em apenas 7 escolas públicas estaduais – nenhuma municipal-para cursar o ensino médio. A conta, evidentemente, não fecha. Ou não deveria fechar: muitos alunos desistem de cursar o ensino médio, largam os estudos e integram o grupo de 16.029 munícipes citados na primeira linha desta reportagem.

 

Gravidez precoce

 

Uma característica marcante do grupo de jovens que parou de estudar precocemente é a elevada taxa de gravidez entre adolescentes. Do total de 1,3 milhão de jovens de 15 a 17 anos fora da escola sem Ensino Médio concluído no Brasil em 2014, 610 mil são de mulheres. Entre essas mulheres que abandonaram a escola precocemente, mais de um terço delas (o equivalente a 212 mil) já eram mães.

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Em busca de emprego

 

Outro fator que eleva o risco de o aluno evadir é a participação no mercado de trabalho, que é mais alta entre os homens de 15 a 17 fora da escola sem Ensino Médio completo: quase dois terços  deles trabalham ou estão procurando emprego. O ingresso de jovens com escolaridade tão precária no mercado de trabalho é preocupante. Como destaca um relatório divulgado em janeiro de 2016 pelo Banco Mundial, a evasão precoce é o caminho mais comum na América Latina para ingresso nas estatísticas dos homens jovens que nem estudam nem trabalham.

 

Engrenagem caótica

 

Os jovens que deixam os estudos cedo para ingressar no mercado de trabalho acabam ocupando o setor informal, sem direitos trabalhistas e com mais instabilidade. Uma vez que perdem o emprego, dificilmente voltam a estudar, tornando-se adultos não capacitados e sem escolaridade. Em frente à crise financeira, que enxuga e seleciona, portanto, o mercado de trabalho, é o grupo que mais sofre para conseguir um emprego.

 

Em Valinhos: programas estimulam a retomada dos estudos

 

A Prefeitura Municipal de Valinhos oferece o EJA (Ensino de Jovens e Adultos) à aqueles que desejam voltar a estudar e concluir o ensino fundamental. Três núcleos atendem os 409 inscritos com idade a partir de 15 anos que têm aulas de segunda à sexta-feira, quatro horas diárias.  As escolas que recebem os alunos são as EMEB’s Cecília Meireles (Jd. Paraíso), Horácio de Salles Cunha (Jd. São Bento) e Gov Orestes Quércia (Jd. Paraíso).

 

Segundo a PMV, todos os inscritos são matriculados no programa municipal. Apesar de todos os que desejam conseguirem uma vaga, a informação também gera preocupação devido ao grande número de pessoas sem escolaridade que não se interessam em voltar a estudar.

 

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