A Europa enfrenta uma nova onda de calor extremo que já provoca incêndios florestais, ameaça o abastecimento de água, pressiona a produção de energia e aumenta os riscos à saúde da população. Em diversas regiões, as temperaturas devem atingir ou ultrapassar os 40°C, especialmente na Espanha, Portugal e França.
Na Espanha, os termômetros podem chegar a 42°C, principalmente no sul do país. Em Portugal, áreas do centro, norte e sul estão sob risco elevado de incêndios florestais. Já a França prevê máximas próximas dos 40°C antes que a massa de ar quente avance para o centro e o leste europeu.
Até mesmo o Reino Unido, conhecido pelo clima mais ameno, deve registrar temperaturas incomuns para a região. No sudeste da Inglaterra, a previsão é de até 35°C, cenário que preocupa devido à infraestrutura local, projetada para reter calor durante o inverno.
Incêndios avançam em vários países
O calor intenso, aliado à baixa umidade e à falta de chuvas, criou condições favoráveis para grandes incêndios florestais. França e Espanha já registraram mortes, destruição de imóveis e evacuações de moradores.
Portugal também colocou amplas regiões em nível máximo de risco para incêndios. Reino Unido, Irlanda e Grécia monitoram áreas críticas, enquanto centenas de bombeiros atuam no combate às chamas.
Especialistas explicam que, embora muitos incêndios tenham origem em ações humanas ou acidentes, a vegetação seca funciona como combustível, permitindo que o fogo se espalhe rapidamente.
O que provoca a onda de calor?
O fenômeno é causado por uma área persistente de alta pressão atmosférica sobre a Europa, que impede a chegada de frentes frias, reduz a formação de nuvens e mantém o céu aberto por vários dias.
Além disso, ventos transportam ar quente do Norte da África para o continente europeu. Com pouca chuva, o solo perde umidade rapidamente e passa a absorver mais calor, elevando ainda mais as temperaturas.
Especialistas resumem a combinação responsável pelo cenário:
- Alta pressão atmosférica;
- Entrada de ar quente;
- Pouca chuva;
- Solo seco.
O aquecimento global também contribui para tornar esses episódios mais frequentes, intensos e prolongados. A Europa é considerada o continente que mais aquece no planeta.
Impactos vão além do calor
As consequências das altas temperaturas vão muito além do desconforto térmico. A redução do volume de rios afeta a geração de energia hidrelétrica, a navegação e a agricultura.
O rio Danúbio já apresenta níveis baixos que prejudicam o transporte e a produção de energia na Hungria e na Romênia. O Reno, importante rota de cargas na Europa Central, também registra queda no nível da água, assim como o rio Pó, na Itália, essencial para a irrigação.
O sistema de transporte também sofre impactos. Trilhos ferroviários podem deformar com o calor, enquanto o asfalto de rodovias perde resistência, aumentando o risco de problemas na circulação.
Calor extremo aumenta risco de mortes
Autoridades de saúde alertam que ondas de calor elevam significativamente o risco de desidratação, insolação e agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais.
Os grupos mais vulneráveis incluem idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao sol.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), os governos europeus precisam fortalecer os sistemas de saúde para responder com mais eficiência aos eventos climáticos extremos.
Calor deve avançar nos próximos dias
A previsão indica que o núcleo mais intenso da onda de calor deve se deslocar para o centro e o leste da Europa ao longo da semana, atingindo regiões da Itália, dos Bálcãs e do leste europeu.
Meteorologistas ressaltam que as previsões podem sofrer alterações, mas o cenário aponta para a continuidade das temperaturas elevadas em grande parte do continente.
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