Jovens enfrentam mais dificuldades para conseguir emprego, e desemprego cresce em vários países

A dificuldade de inserção dos jovens no mercado de trabalho tem se tornado um desafio global. Em diferentes países, o aumento do desemprego entre pessoas de 15 a 24 anos, aliado à escassez de oportunidades, vem provocando protestos, preocupação de governos e debates sobre os impactos da economia e da tecnologia na empregabilidade.

Em 2024, manifestações relacionadas à falta de emprego ocorreram em países como Quênia, Peru, Nepal, Indonésia e Filipinas. Neste ano, protestos também foram registrados na África do Sul e no Marrocos. Na Índia, o tema ganhou destaque com o crescimento do Partido Cockroach Janta, movimento que surgiu nas redes sociais em tom satírico e conquistou projeção nacional.

China simboliza o desafio do desemprego juvenil

A China tornou-se um dos principais exemplos do problema. O número de estudantes que concluem o ensino superior cresceu em ritmo superior ao da criação de empregos, dificultando a entrada de recém-formados no mercado de trabalho em meio à desaceleração da economia.

Segundo dados oficiais divulgados pela agência Reuters, a taxa de desemprego entre jovens urbanos de 16 a 24 anos foi de 15,6% em maio, enquanto a taxa geral de desemprego do país ficou em torno de 5%.

Desde 2023, porém, o governo chinês passou a excluir estudantes universitários das estatísticas, o que dificulta comparações com anos anteriores.

Brasil também enfrenta cenário preocupante

No Brasil, os jovens também encontram mais dificuldades para conquistar o primeiro emprego.

De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), a taxa de desemprego entre pessoas de 18 a 24 anos é de 13,8%, mais que o dobro da média nacional, atualmente em 5,8%.

Outro dado que chama atenção é que quase 20% dos brasileiros entre 14 e 24 anos não estudam nem trabalham, grupo conhecido como “nem-nem”.

Inteligência artificial preocupa, mas não é apontada como principal causa

O avanço da inteligência artificial (IA) aumentou o receio de que empregos de entrada sejam substituídos por novas tecnologias.

Pesquisas indicam que funções destinadas a recém-formados têm diminuído em alguns países, especialmente no Reino Unido. Ainda assim, especialistas afirmam que a IA não é a principal responsável pelo aumento do desemprego juvenil.

Segundo Golo Henseke, professor da University College London, o impacto da tecnologia ainda é menor do que os efeitos provocados pelo baixo crescimento econômico.

A especialista em emprego juvenil da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Sara Elder, compartilha da mesma avaliação. Para ela, a principal dificuldade é que a criação de vagas não acompanha o número de jovens que ingressam no mercado de trabalho.

Além disso, empresas passaram a exigir mais experiência profissional, dificultando o acesso ao primeiro emprego.

Setores tradicionais perderam oportunidades

A Organização Internacional do Trabalho identificou aumento do desemprego juvenil em oito das 11 regiões do mundo entre 2023 e 2025.

Os setores que mais reduziram oportunidades para jovens foram:

Manufatura;
Construção civil;
Serviços.

Por outro lado, áreas ligadas à ciência, engenharia, saúde e tecnologia da informação continuam apresentando maior demanda por profissionais qualificados.

Especialistas defendem investimentos em emprego e qualificação

Para os especialistas, a solução passa por políticas públicas que estimulem a criação de empregos de qualidade e facilitem a transição entre a escola e o mercado de trabalho.

Eles também destacam que o fortalecimento da economia é essencial para ampliar a oferta de vagas e reduzir as dificuldades enfrentadas pelas novas gerações na busca pelo primeiro emprego.

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